quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os arranhões sobre a pele

Foto: Fanatical Surreal Photo Manipulations 


rasgados os panos
as vestes entrecortadas
sangram
Estourados os miolos
cernes do mundo

arranhões profundos
a mágoa e a febre Humana
provocam delírios

Desmesuras de intranquilidade
frustrações bandidas
suas armas materialistas
imateriais malícias com vergonhas
expostas

e os sem-céu
abrem a boca-cova
Sem amor
desamando o semelhante
despejam murmúrios nos instantes
horas a fio dentro de si
maquinando asneiras

mastigam os dentes
apertam
[malvado bruxismo
descaracterizando o belo
preenchem de bueiros
com sujo, o lindo

choro cacos de vidro
e fumaça de carros
baforadas de cigarro

nesse rosto que se desfigura

é grande a Dor


*
Nem tão santo, nem tão profano, apenas Sobrevivente!


Joice Furtado - 19/07/2012

1 comentários:

Albuq disse...

Versos intensos!