segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pão e circo




Tolo de tolos, eu sou
entre os bobos, 
comédia maior 

Meu pão é circo
entretenimento pronto
enlatado e distruído 
por antenas paranóicas
Desgraçados palhaços 
Graças de escrachados risos

Sistema
de pisos, de cotas e regras

Eu sou a guerra!
Hades contra Narcisos
cada qual o seu crítico
Favores de mal amados
pior ou melhores nascidos

Meu beco, meu samba
meu estandarte de lata
caminho na corda bamba
gênese de mim em eu mesmo
mente desatinada, malogradas transas
transes interiores
pensamentos vencidos

Eu sou o povo
Assalariados, não excelentes
valentes contudo
Sou forte, sou gente
Esmagada pela multidão
Brasil

De intelectuais e ignorantes completos
Intelectos ignorantes também
Vou a luta, vou a farra
Eu caio em desgraça e me levanto
Firmados joelhos, ferida purgando

Rendido meu coração, esperança
Dias melhores virão, todo dia
olho o sol despontando no morro
enquanto o ônibus lotado, buzina
Mantenho-me esperto, alerta
com o peito entre mil, milhares
de novas e fantásticas guerras.

Não descanso, meu café da manhã 
é o plano de um novo recomeçar
angústia misturada a incerteza
Que, virando a curva, desapareça!

E amanhã, que penso? Pensarei?
Esse meu pensar...


Joice Furtado - 02/04/2012

1 comentários:

Expedito Gonçalves Dias disse...

Joice, estou curtindo seu blog e seus textos. Parabéns pelo desabafo deste.
Grande abraço. Excelente Páscoa Achocolatada!