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terça-feira, 30 de julho de 2013

Palavrórios, não! Poema publicado em Vidráguas



Recobro viço
dito
palavrório, não


ilusão, bem menos

há sonhos nos olhos
estampas de pétalas
e os matizes…


cor desperta
abre asas no céu
voa
antes lagarta era
e agora


cadê o caminho?
a passos curtos vai e
a pedra na estrada
também parte é
de alguma história
resolvida, um tanto
mas
e agora?


Fica o verso
queimando
nos dedos
seio e boca
alagares de mim mesma


deságua peito
— sensível
emociono evaporo
condenso e, de novo
precipito versos


quiçá farão alegres os anjos
leitores amorosos ou insanos
… que amem esta caçadora de sentidos


Joice Furtado

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Choro - Poema publicado em Vidráguas



choro porque minh’alma é rio
nasce
e renasce
dia após dia

e quando desaguo tristezas
na foz dos pensamentos
lançando frios
em meu habitat maior

vejo oceano misturado ao seio
sal íntimo
aqui onde a imensidão pertence-me
meu olhar alonga-se, espraia margens

choro
evaporando alegrias, subo ao céu
com as aves vívidas
bato asas no espaço — respiro

tanto rio, mar, sal e azul
molécula livre
desato corpo da forma
não mais pedra contra onda
sou em arco

-íris ao sol

simples menina que chora
ri
e nada
são as circunstâncias
apenas passageiras
— desembarcam na próxima estação

Joice Furtado 

Poema publicado em primeira mão no Site Vidráguas.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Arrebato - Poema publicado em Vidráguas



Arrebata-me os meios
termos entregues ao delírio
suave é o teu
íntimo prazer

notas derramadas num corpo
copo de amores tantos
e palavras… infinitudes
sussurras em meu ouvido


não olvides
eu a amo
entre quatro paredes
quarteto de mãos abraçadas
brasas líquidas
queimando queimando
devoras meu estado suspenso
leva-me ao mais dilatado
coração em saltos


eu a amo
embora seja triste dizer:
- a vida é cheia de injustiças! –
carrego tatuadas algumas delas
na pele demarcações
terrenos minados
curam-se com toques bálsamos
suaves linhas odoríficas


exalto mais um vez
impressões lacrimais
hemorrágicas humilhações
dolorosas queimaduras
– são tantos egos! –


pisam sobre minha cabeça
chocalham seus guizos
quando arranco essas peles
reveste-me desejo


encaixada nos aromas
beijos ao final de mais uma tarde
leva meus instantes contigo
tessituras, nós
entre versos e vontades
fluímos juntas, poesia


Joice Furtado 

Poesia Viva! Agradecimento aos amigos Vidráguas, maravilhosos poetas com quem aprendo muito, fontes de inspiração. Em especial à pessoa de Carmen Silvia Presotto, coordenadora do Site-Editora e uma grande amiga. 

Acessem o site Vidráguas e confiram outros poemas em primeira mão!