Google+ Mergulhei em seus olhos...

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Semeada



Densa névoa
cerra olhos tímidos
abertos sentidos estão
ao desejo

boca que saliva
ávida busca
mãos, membros
sensação ininterrupta 
prazer à flor da pele

lambo tua presença
selo as horas
colecionando fantasias
deleites corporais

em virtude do amor
esse ser faminto
homem-mulher interior
revestido de muitos

sexos, serenos, agitos

úmidas ausências
calorosas entradas 
inscritas na pele ardem
contraponto

vibra música dos sussurros

raios atravessam céus amotinados
carros em fila buzinam
gritos
entorpecimento, dor, loucura

em pensamento sigo
no rádio a garota corre
... Run baby run!

a palmos meço avenida do corpo... teu

descanso retinas na paisagem
tuas nuas nádegas sob lençol
quente imagem
- meu fetiche -
tom mais íntimo

movimenta-te ousado para dentro
dentro de mim

... Run baby run
vou em pleno gozo
dormir semeada por ti

Joice Furtado

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Marejado poema


Meus olhos lacrimejam
e nem venta 
nessa manhã de junho
lembrando poemas
pego estalos no ar

Porque nascemos poetas
ou em vias de enlouquecer
prendemo-nos aos elos
frágeis-fortes estruturas
abraçamos unânimes palavras

Ainda que nos rotulem
acumulemos dores e insultos
haverá alegrias...

Meus olhos lacrimejam
eMotivo peito 
mãos, dedos, cílios
lábios, pernas, inteiro corpo

... atravessando o túnel
com esperança-coração na boca
em tempo de ver
            encontrar o sonho
            cheirando livro novo
            sinto esperado amor

Joice Furtado

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O preço, peso do bom

Foto: Web

Uma hora você se cansa
de dar a cara a tapa
virar a face
      estender a mão
      ao próximo
      coitado que vê
      será você
      um tolo?

      Medindo palavras
      remoendo ideias
      acumulando beatitudes
 
      do outro lado da moeda
      há um ser individual-
      i(n)sta!

      Pobres dos morais!
      O mundo é podre
      e logo se constata o risco
      Não mais puros. O que é isso?
 
      - a velha obsessão
      das páginas do Livro
      de aconselhamento da vovó
      onde o bom tem o Reino dos Céus
      e o mau é submetido
      - ao fogo, é fato:

                    perderam-se os avisos
                   vácuo peito
                   compromisso algum
                   é o bastante

      ser andante ou rastejAnte, 
     cavalheiro-
     dama
     ... as peças vão mudando
     tão duras como aço da morte
     cortante
     navalha na carne, essa ainda chora
     por sentir
         - resquício humano

      Resta-lhe recorrer aos
     cacos
     da vida que continua
     nua
     no frio da multidão injusta
     reparando as suas feridas
                              magoadas

      dói
     e o preço é aviltante
     peso na nuca 
     insistente amor
     escorrendo pelos cantos dos olhos

     cansados?

Joice Furtado

terça-feira, 21 de maio de 2013

PoeMatiz


Quero todas memórias
impressões, afagos, beijos
à palma dos olhos
a poucos passos dos dedos

apreciar aromas líricos
um cheiro por poema
do amoroso ao cínico penar

quantos livros!
universos nas prateleiras
enquanto espano o vário-eu
mobilhando a casa

amando, salivando, acariciando
provocações literárias
nos olhos nus extratos
das folhas, molduras corporais

etéreas
estradas dos homens sãos
tão loucos
abrindo o peito em mágoas
deleites desgostos

esfrego olhos
o ter não é suficiente
vivo o gosto
... provo delícias
              - vontades - 

esparramo meu insano
quase infinito
- desejo 

por costas 
falésias
maraltos 
vejo corais 
sentada à mesa submarina

se ritmado é pouco
ser balanço das ondas vou
entre rendas, liras, espumas
relvas de Whitman, Augusto
dos anjos 
        peço harpa
        fantasio-me

abraço ideias
Amo
grito
salto 
  - de um extremo ao outro - 

PoeMatizo meu rosto
          com pós Versais

Joice Furtado

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Arrebato - Poema publicado em Vidráguas



Arrebata-me os meios
termos entregues ao delírio
suave é o teu
íntimo prazer

notas derramadas num corpo
copo de amores tantos
e palavras… infinitudes
sussurras em meu ouvido


não olvides
eu a amo
entre quatro paredes
quarteto de mãos abraçadas
brasas líquidas
queimando queimando
devoras meu estado suspenso
leva-me ao mais dilatado
coração em saltos


eu a amo
embora seja triste dizer:
- a vida é cheia de injustiças! –
carrego tatuadas algumas delas
na pele demarcações
terrenos minados
curam-se com toques bálsamos
suaves linhas odoríficas


exalto mais um vez
impressões lacrimais
hemorrágicas humilhações
dolorosas queimaduras
– são tantos egos! –


pisam sobre minha cabeça
chocalham seus guizos
quando arranco essas peles
reveste-me desejo


encaixada nos aromas
beijos ao final de mais uma tarde
leva meus instantes contigo
tessituras, nós
entre versos e vontades
fluímos juntas, poesia


Joice Furtado 

Poesia Viva! Agradecimento aos amigos Vidráguas, maravilhosos poetas com quem aprendo muito, fontes de inspiração. Em especial à pessoa de Carmen Silvia Presotto, coordenadora do Site-Editora e uma grande amiga. 

Acessem o site Vidráguas e confiram outros poemas em primeira mão! 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Web-Livro Corpoemas Ed. I - Versos Vibrantes



Série Corpoemas - Falam dedos, roçam palavras, chamas de prazer. 


Web-Livro com Poemas Vibrantes - 2013




Joice Furtado

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Paisagens ExtraInteriores



Paisagens de mim
meadas sensações
em recomeço
desdobramento

Planejo inventos
somo
traços sentidos
frações do mesmo

Recuo e avanço
planto pés na terra
cresço
danço com a brisa

Movimentos intensos
pensares e argumentos
variado
efeito cognitivo

Lambo o selo
carta íntima tenho
jogo pernas para cima
matéria evolutiva

Paisagens minhas
meadas trançadas
destapo sol da peneira
bordo luzes 

nos pelos, boca, olhos
sexo
desejo linha expressiva
azuis, amarelas, oliva

verde esperança
caminho no grAmado peito
sinto
as vontades mais belas

aprendo o apreensível
desprezível nunca
fusível, fundível
prazer auricular

só quem os abre saberá
ouvir preciosidade
mais além
     guardá-las dentro de si


Joice Furtado