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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

VACAS NA AULA DE ARTE





Bom tempo é como boas mulheres - não acontece sempre e quando acontece não dura para sempre. Um homem é mais estável: Se ele é ruim é mais provável que continue assim, ou se ele é bom ele pode se fixar, mas a mulher se modifica para sempre pelos filhos, pela idade, pela dieta, pela conversação, pelo sexo, pela lua, por haver ou não haver sol ou bom tempo. Uma mulher tem que ser ninada pra subsistir pelo amor, onde um homem pode se tornar mais forte por ser odiado. Estou bebendo esta noite no Spangler's e me lembro das vacas que pintei certa vez na aula de arte e pareciam bem, pareciam estar melhor do que tudo ali. Estou bebendo no Spangler's pensando em qual amar e qual odiar, mas já não há regras: amo e odeio somente a mim mesmo - os outros ficam além de mim.

Charles Bukowski

Arrasto

Foto: Rafal Makiela


Sinto no arrasto
a vida feito peixe

É cedo e me perco
nas ondas mornas, o desejo
embala doce mar

Sob os pés da aurora
Sufoco ares não meus
Borbulhas de ressentimentos
Enegrecem minhas vistas

Sinto no arrasto
a vida feito peixe

É a corrente, me leva
me prende
entremeado num laço absurdo
malha grave, sem amor


Sinto esfriarem as vértebras
Debato contra o tempo e o que é
certo, me parece distante

Agora
todos os erros de antes
todas as horas não gastas

desgastada linha
esvair-se-á de mim tão logo
restará suspirada e íntima
... exClAmada!
Poesia

Joice Furtado

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Imantações



Estas palavras veladas
roçando a boca

Saliva morna

Arranha minha pele 
teu olhar nu
queima-me por horas

Debaixo das linhas
entre as coxas
versos de amor e prosa

Gozos atônitos de quimera
rodeio os suspiros teus
como ciúmes nas veias

Aquele pensar furtivo
me doendo agora

Essas palavras veladas
roçando a boca

Desejo cru 

Homem das letras
leva
imanto sinceras tristezas
engulo esperas
e me deixas...

refletindo ostensivas verdades
desculpas para mim mesma.


Joice Furtado 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Queima





O que preciso
reúno
  cacos 
  traços
  trilhas e os pés

  Caminho 
  sentimento convulso
  pulsando artérias 
  sumo
  reapareço
  desejo espalhado no ser

  Me envolve
  Reata
  corpos e mãos

  Alinho
  olhos e fantasias
  pele com pele 
  e a minha

  arde 

  histórias íntimas.


Joice Furtado

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Despedida




Aquele dia demorou anoitecer
Como acontece algumas vezes
Parecendo reter-se a noite
ou fazer birra, o sol.

Aquele dia era névoa
passeando nos morros negros
azuis escuros nos cumes 
estranho entardecer 

Aquele
dia queimando as retinas
fibras cardíacas aceleradas
pés e pontos de vista
dores à flor da pele

Chorando o corte nos dedos
espinhos causticantes são medos
ferro
brasa
degredo

Aquele dia
de tão fustigado, ao extremo
morreram sonhos e renasceram
estrelas nos olhos ferrugem
batida terra dos pés

Subiram ao céu em nuvens
clamores, risos e dança
choros, raivas, sanhas

e nunca mais houve, um tal

Aquele dia.

Joice Furtado

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dos Desencantos



Sorriso de canto
de
olho e tanto

Amor

Canção da aurora
borboletas na cabeça
estômago

Jardim em flor 

Nos cabelos, pelos
curvas e quimeras
Chama-lhe bela
Chama...

Claro, encanto
era pouco e se acabou

um só
    sopro na brasa
    não basta
    pra fazer calor


Joice Furtado 

domingo, 19 de outubro de 2014

Bálsamo


E se

Poesia é rastro
  Pólen amante
  Nascente de rio
  Ovário fecundo

  Submergir
  No mundo
  Onde pessoas florescem
  Aqui e ali

  Entranhar nas entranhas
  Sorrir à relva
  Desfazendo mágoas
  Regar um se...

  Poético

  E assim ter força para continuar
  Sabendo que no meio ou fim
  livre na frase, o absurdo...

   Verso 
   a dor amenizará.


Joice Furtado