Google+ Mergulhei em seus olhos...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Arrasto

Foto: Rafal Makiela


Sinto no arrasto
a vida feito peixe

É cedo e me perco
nas ondas mornas, o desejo
embala doce mar

Sob os pés da aurora
Sufoco ares não meus
Borbulhas de ressentimentos
Enegrecem minhas vistas

Sinto no arrasto
a vida feito peixe

É a corrente, me leva
me prende
entremeado num laço absurdo
malha grave, sem amor


Sinto esfriarem as vértebras
Debato contra o tempo e o que é
certo, me parece distante

Agora
todos os erros de antes
todas as horas não gastas

desgastada linha
esvair-se-á de mim tão logo
restará suspirada e íntima
... exClAmada!
Poesia

Joice Furtado

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Imantações



Estas palavras veladas
roçando a boca

Saliva morna

Arranha minha pele 
teu olhar nu
queima-me por horas

Debaixo das linhas
entre as coxas
versos de amor e prosa

Gozos atônitos de quimera
rodeio os suspiros teus
como ciúmes nas veias

Aquele pensar furtivo
me doendo agora

Essas palavras veladas
roçando a boca

Desejo cru 

Homem das letras
leva
imanto sinceras tristezas
engulo esperas
e me deixas...

refletindo ostensivas verdades
desculpas para mim mesma.


Joice Furtado 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Queima





O que preciso
reúno
  cacos 
  traços
  trilhas e os pés

  Caminho 
  sentimento convulso
  pulsando artérias 
  sumo
  reapareço
  desejo espalhado no ser

  Me envolve
  Reata
  corpos e mãos

  Alinho
  olhos e fantasias
  pele com pele 
  e a minha

  arde 

  histórias íntimas.


Joice Furtado

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Despedida




Aquele dia demorou anoitecer
Como acontece algumas vezes
Parecendo reter-se a noite
ou fazer birra, o sol.

Aquele dia era névoa
passeando nos morros negros
azuis escuros nos cumes 
estranho entardecer 

Aquele
dia queimando as retinas
fibras cardíacas aceleradas
pés e pontos de vista
dores à flor da pele

Chorando o corte nos dedos
espinhos causticantes são medos
ferro
brasa
degredo

Aquele dia
de tão fustigado, ao extremo
morreram sonhos e renasceram
estrelas nos olhos ferrugem
batida terra dos pés

Subiram ao céu em nuvens
clamores, risos e dança
choros, raivas, sanhas

e nunca mais houve, um tal

Aquele dia.

Joice Furtado

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dos Desencantos



Sorriso de canto
de
olho e tanto

Amor

Canção da aurora
borboletas na cabeça
estômago

Jardim em flor 

Nos cabelos, pelos
curvas e quimeras
Chama-lhe bela
Chama...

Claro, encanto
era pouco e se acabou

um só
    sopro na brasa
    não basta
    pra fazer calor


Joice Furtado 

domingo, 19 de outubro de 2014

Bálsamo


E se

Poesia é rastro
  Pólen amante
  Nascente de rio
  Ovário fecundo

  Submergir
  No mundo
  Onde pessoas florescem
  Aqui e ali

  Entranhar nas entranhas
  Sorrir à relva
  Desfazendo mágoas
  Regar um se...

  Poético

  E assim ter força para continuar
  Sabendo que no meio ou fim
  livre na frase, o absurdo...

   Verso 
   a dor amenizará.


Joice Furtado

sábado, 11 de outubro de 2014

Furtivo



Eros me vem pela tarde
Adentra a noite
Meus poros
Nus

Sedentos pelos eriçam
Colado meu desejo ao seu
Poema

Já inquieto me vem Eros
Enquanto sonho carícias
Pega a primeira brisa
Embriaga-me
e se vai.

Joice Furtado