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Mergulhei em seus olhos...
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Foto: Rafal Makiela
Sinto no arrasto
a vida feito peixe
É cedo e me perco
nas ondas mornas, o desejo
embala doce mar
Sob os pés da aurora
Sufoco ares não meus
Borbulhas de ressentimentos
Enegrecem minhas vistas
Sinto no arrasto
a vida feito peixe
É a corrente, me leva
me prende
entremeado num laço absurdo
malha grave, sem amor
Só
Sinto esfriarem as vértebras
Debato contra o tempo e o que é
certo, me parece distante
Agora
todos os erros de antes
todas as horas não gastas
desgastada linha
esvair-se-á de mim tão logo
restará suspirada e íntima
... exClAmada!
Poesia
Joice Furtado
Estas palavras veladas
roçando a boca
Saliva morna
Arranha minha pele
teu olhar nu
queima-me por horas
Debaixo das linhas
entre as coxas
versos de amor e prosa
Gozos atônitos de quimera
rodeio os suspiros teus
como ciúmes nas veias
Aquele pensar furtivo
me doendo agora
Essas palavras veladas
roçando a boca
Desejo cru
Homem das letras
leva
imanto sinceras tristezas
engulo esperas
e me deixas...
refletindo ostensivas verdades
desculpas para mim mesma.
Joice Furtado
O que preciso
reúno
cacos
traços
trilhas e os pés
Caminho
sentimento convulso
pulsando artérias
sumo
reapareço
desejo espalhado no ser
Me envolve
Reata
corpos e mãos
Alinho
olhos e fantasias
pele com pele
e a minha
arde
histórias íntimas.
Joice Furtado
Aquele dia demorou anoitecer
Como acontece algumas vezes
Parecendo reter-se a noite
ou fazer birra, o sol.
Aquele dia era névoa
passeando nos morros negros
azuis escuros nos cumes
estranho entardecer
Aquele
dia queimando as retinas
fibras cardíacas aceleradas
pés e pontos de vista
dores à flor da pele
Chorando o corte nos dedos
espinhos causticantes são medos
ferro
brasa
degredo
Aquele dia
de tão fustigado, ao extremo
morreram sonhos e renasceram
estrelas nos olhos ferrugem
batida terra dos pés
Subiram ao céu em nuvens
clamores, risos e dança
choros, raivas, sanhas
e nunca mais houve, um tal
Aquele dia.
Joice Furtado
Sorriso de canto
de
olho e tanto
Amor
Canção da aurora
borboletas na cabeça
estômago
Jardim em flor
Nos cabelos, pelos
curvas e quimeras
Chama-lhe bela
Chama...
Claro, encanto
era pouco e se acabou
um só
sopro na brasa
não basta
pra fazer calor
Joice Furtado
E se
Poesia é rastro
Pólen amante
Nascente de rio
Ovário fecundo
Submergir
No mundo
Onde pessoas florescem
Aqui e ali
Entranhar nas entranhas
Sorrir à relva
Desfazendo mágoas
Regar um se...
Poético
E assim ter força para continuar
Sabendo que no meio ou fim
livre na frase, o absurdo...
Verso
a dor amenizará.
Joice Furtado
Eros me vem pela tarde
Adentra a noite
Meus poros
Nus
Sedentos pelos eriçam
Colado meu desejo ao seu
Poema
Já inquieto me vem Eros
Enquanto sonho carícias
Pega a primeira brisa
Embriaga-me
e se vai.
Joice Furtado