Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
domingo, 19 de outubro de 2008
Metade (Oswaldo Montenegro)
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Viver de quases não é viver

Texto retirado de I Love
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Meu mundo
Bruno Miguel / Rafael Brahma
Fonte: Vagalume
Eu tento com as palavras
E as coisas ficam fora do lugar
Eu vejo o mundo escurecer
Eu me perdi no tempo
E as horas passam sempre devagar
Pra esperar você
Nem sempre as coisas ficam no lugar
E as vezes só nos resta entender
Eu ouço que você não vai voltar
E eu fecho os olhos pra encontrar você
E quanto tempo faz
Já não importa mais
Se o tempo me deixou parado
Esperando por você
Eu tento ser capaz
De não olhar pra trás
E ver que existem outros mundos
Mas o meu mundo ainda é você...
sábado, 20 de setembro de 2008
Deixemos
Que o tempo fale por nós
Deixemos
Que se vá,
como as folhas levadas pela correnteza,
Tudo que era, tudo que poderia ser
Todo medo, toda mentira, toda palavra não dita
e as que precisam ser esquecidas
Vivamos
Porque a vida está aí
E ela não pára para nós
Sigamos como seguem,
com a devida constância,
as águas daquele rio
Aprendamos
Nem sempre será fácil
Porém nada é difícil demais
Digamos
mesmo sem palavras
Adeus!
Você é capaz...
de ter aquilo que o seu coração quer
Ser feliz
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Apenas mais uma de amor

Lulu Santos
Fonte: Vagalume
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
É! Ser abstrata não é comigo.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Razão x Emoção

Poeta
Quem lhe roubou a rima
e por que está triste seu coração?
Ah poeta, você que fala tão bem
dos dias frios e do verão
Das coisas complicadas que a nossa alma cultiva
Deixou que lhe roubassem justamente
o que lhe era de tanta estima
sua rima, sua rima
Presa nos olhos de um certo alguém
Olhos de menina
Chore poeta até que ela volte
trazendo consigo a emoção
Mas, poeta, será que vale a pena
dar a ela tanta afeição?
Ela lhe roubou a rima
transformando alegria em solidão
Então me diga
Vale a pena tanta afeição?
Sinceramente não sei
Ela levou também
minha razão.
O maior vencedor não é aquele que ganha sempre mas o que aprende com as derrotas e se torna melhor.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Pierrot

Tu que dormes ao som
da serenata de estrelas
Minha doce flor, princesa
Se há mais flores e canções
Não as quero, tu és a única
Que embalas meu sono encantado
e se meu é o sonho, por que não fantasiar
que tu és a minha colombina?
Hoje e amanhã
para sempre irei te amar.
És aquele que o vento abraça
Quem dirá que não é minha tua canção?
Direi que és meu, sim direi
Flutuam meus sonhos pelo ar
Para quem é a canção (o poema), o sonho, o desejo, a lágrima, o calor?
Para quem é o amor?
Palavras doces queimam em meu peito
Mas eu não sou o teu sonho, que castigo!
Tu fantasias, óh meu desejo
O que farei
quando te entristeceres comigo?
Morreria, sim, com tua tristeza já não teria abrigo
para me acolher nos dias
em que tudo estivesse sombrio
Não, minha dama
Meu desejo, emoção
Se és tudo que quero
Como não te amar?
Tome meu coração
Pois a ti está entregue
Desde o dia que esse humilde e apaixonado
Vislumbrou o teu olhar.
Assinar:
Postagens (Atom)


