Google+ Mergulhei em seus olhos...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Passagem

Imagem: António Macedo

viajante estrela traçando céu
de quem a vê pedidos leva
montada em seu cavalo-quimera
cavalga através dos astros

nuvens na atmosfera
do pó dos mundos conhecedora
viu anéis de Saturno e Phobos
deitou-se no colo de Hera

enxergou Babilônia dos jardins suspensos
reis surgindo e bandidos levantando
guerras, mais guerras

testemunhou as civilizações todas
injustiças dos pobres humanos
clamam aos deuses, cospem feras
palavras

de todas as almas, viu um Santo
esse a quem já conhecia
formado no ventre do universo
entregou-se a raça fria
por Amor

viajante estrela
aí de onde habita
seio da galáxia longínqua
veja, as pessoas continuam as mesmas
barbáries assolam a Terra
pisoteiam as mentes

Veja. Isso dói bem sabe
mas não é cadente, longe fica
observe atenta a movimentação cíclica
vai! Tem a sina da passagem

Joice Furtado - 30/12/2012

sábado, 29 de dezembro de 2012

cAmada


Rompe minha camada
atravessa pele-nervos
aqui há desassossego
em mim, hoje bem mais
tu és calma


brisa que vem no sereno
quando o coração palpita
aquela noite aflita
longe dos laços na cama


perfume noturno
entre damas da noite
jardins e grAmas
o solo respira segredos
notas da Lua


sou Vênus
ao meu amado vou
exalando notas


Entrego a rama
essa enfeita beirais namorados
de lá dos capinzais estrelas sorriem
espiam de perto balbuciante telhado


Ao longe, o céu ao chão toca
sussurrantes os lírios aquáticos
contam uns aos outros da estrela guia
atravessando o manto celeste borda
rendas de flores campestres


Aqui de peito nu, ombros e costas
rompe minha pele e me une
por mais pequenos-luares momentos


então seremos lumes no escuro
clarões de amor tateando o quarto.


Joice Furtado - 29/12/2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O bailado do poema


Atravesso paredes
mais que fantasma ando
transparente

mágoas assolam meus olhos
viro cascata
choro
esse lençol que me habita

turvo com areias
ciscos levanto ao ar
sopro
terrores para longe
angústias assassinas

rebroto somente
espalho-me pelas margens
papel meu esse
mudo ribanceiras de lugar
abraço os peixes

/ sinto no leve bailado do poema a força
concernente ao suspiro
Esperança /

traço essas más linhas
um chá de mato-raro
feito para apaziguar sangrias

desatada sou
não me ponham amarras
grito feito louco em crise aguda 
Alardeio ais interiores

Joice Furtado - 28/12/2012

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poema das flutuações


A curva dos olhos
nos olhos
linhas
curvilíneas 

pétalas de flores
de flores
no peito
pétalas macias

pastilhas na calçada
na calçada onde passo
mais ilhas
bolhas dos humanos

nas orelhas brincos
brinco contigo
dependuro-me na íris
arco-canto

no céu eclipse
eclipse enluarado
vexado sol esconde
da Vênus a nudez
branca

na tez o pálido
branco pálido
abre-se o pálio
palpita

nas transparências da alma
da calma onde te vejo
transparências
cama e cheiro
exala fragrância
ensaio
dizeres apaixonados
e além

no inverno, o frio
frio-me faz
ausência
ainda hoje direi
verão que me faz bem
ranhuras e inconsequências
sobre a pele, sobre o sexo
sobre os nervos das palavras
dedos afiados

no jasmim tão puro
não jaz desejo
Vivo em mim 
Poético
por isso digo, vivo
nele também

Poema
assim, tu me voltas
nas voltas tuas
volta!
torna noites, nupcias 
sono perdido em alegria
goles mais goles
nas voltas que dá
o tempo
em ti eu paro-danço
enquanto tu me voltas
flutuas

Joice Furtado - 27/12/2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Vestido de strass



A tarde chega e as últimas luzes atravessam a janela para onde olho. Penso, questiono. Várias imagens passam por minha mente no exato momento, talvez nem tão exato, mas no momento quando enxergo a luz que toca meu rosto, luz essa, ainda morna. Ali, quando a mente divaga e parece que está vazia. Quando tudo que se quer torna-se diminuto diante da claridade radiante daquela esfera celeste entrando pelo vítreo. Magoo-me ante o que já foi e o que gostaria que fosse. Ridicularizo o pensamento anterior. Invento argumentos que justifiquem atitudes, volteio e volteio. Sou um bambolê! Sorrio agora. Eu imaginativa estou presente. Multiplico alegrias ainda que a matemática não seja minha amiga. Divido com milhares algo de mim, esse que julgo ser bom, porém há muitos que discordam dessa interpretação, "muitos" que não me mostram um ínfimo sequer para desaprovar o que vem da maioria. Paro com sandices! Tolices demais me deixam zonza. Olho para a janela. A tarde chega e com ela o vazio que se evapora quando surge a noite, esperança de um novo ciclo, quando a lua desabotoa o elegante vestido negro com strasses os quais são estrelas inventadas pelos homens. Aqui o estro, mais que cio, mais que fome, apetite voraz percorrendo todos os nervos. De continente a continente, a fúria poética corre, discorre seus clamores e canta... palavras diferentes a cada renascer do corpo. Células vermelhas -  luas cheias, contudo tão novas.

Joice Furtado - 26/12/2012

Taça de impressões



Minhas impressões afixo
em papéis de folhas...
há sonhos
mil

com-passos marcados
na vida, os desagravos
ensinam-nos a Ser
- isso tem grande valia - 

com-passos distintos
uns curtos, outrossim compridos
traços do seio ardente

sangue, esse impulsiona
veias
válvulas
artérias da matéria que sente

/ e se revolver, pois sempre é agora
e hoje, esse exato momento /

tão somente
sente
tal qual as batidas do coração poeta

Minhas impressões afixo
em papéis de linho-
unidas linhas 
com lápis ou caneta
também suores, lágrimas
curvas dos olhos, do corpo
copo da insPiração que retine!

justamente essa, só essa
a maior de todas as constatações

/ Todos somos um pouco loucos.
O diferencial é o que fazemos com essa loucura. / 

Joice Furtado - 26/12/2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Enseadas


Um mergulho
vazio nefando
perambulo oceAnos
sem fim


continentes estranhos
- sem teus braços Amor -
Náufrago das dores
Sou

Monstros lendários
hipócritas e suas crises
tão normais

Condenso tempestades - cúmulos nimbos -
estou

Torna ao extrato
Meu interior Atlântico
vagueia

Mova continentes
Mas venhas, cedo venhas
sobre espumas do mar
até mim

descansemos à tarde
manhã de gozo
protegidos do abissal transtorno

apaixonados somos 
enseadas quentes

Joice Furtado- 17/12/2012

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