Google+ Mergulhei em seus olhos...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Em tons mais suaves

Foto: Joyce Tenneson

É que a alma sente tanto
deveras o sentir é fato
para muitos, no entanto,
tão pouco

perceber os olhos
marejando cantos
lágrimas de alívio
de alegria um pranto

quem sabe
o que vai na mente do outro?
e quem saberá?
quando se reconhece a alma
percebe-se tudo

olhando para dentro
do interior para fora
respiração avulsa

sôfrego o poeta sobrevive
um adestrador do mundo cão
pinta quadros, aquarela vida
em tons mais suaves

Hoje o dia está cinza
busco no peito a cor

Joice Furtado - 17/07/2012

O sonho do poeta


"Penso que não tive escolha
Fui escolhido e gostei da escolha
Faço o que sonho
Faço o que gosto
Sou um pouco irresponsável
com os passarinhos, isto seja:
Sou livre
Amo a palavra"

Manoel de Barros

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Aquela cor romã




Aquela cor romã
Existe? Sabe Não?
Sei só que amo

Será jambo?
beiro o rio onde pesco
banho-me
recolho linha e a lanço
[aos peixes que borbulham
sementes do Universo

Cheguei ao céu
amareLinhas
Entretida
[em brincadeiras

balanço-me e vivo
amoreira em flor

cereja no bolo
delícia

Joice Furtado - 16/07/2012

Onde mora a sensibilidade

Foto: Farm


Um dilatar de desejos
madeiras perfumosas
abro meu peito

tenho a fome e a sede
sacio-me nos riachos
da alma 

am(a)ndo à procura do tudo
nada me falta 
[atento
percorro os mundos imaginários
levanto suposições

enxergo
banhados onde bandos levantam voo
formando figuras no ar

aves brancas ou de penas coloridas
com muitas delas faço um cocar
guerreira nas matas atlânticas

ergo o meu arco-flecha
disparo e corro na direção 
caço-palavras, letras, adjuntos
vocativos, vogais

elas fugidias provocam-me
enquanto meus olhos encantam-se

bromélias, orquídeas, quaresmas
resmas nesse interior papel
escrevo-te

já ouço o canto 
Uirapurus e Bem-te-vis
no dorso da floresta
despontam cantando

cacique já disse:

ali junto ao arvoredo
moram as feras-letras
irás encontrar o Riso
grande Sabedoria
aCriança-te

Joice Furtado - 16/07/2012

Esse tal Acabrunhamento


As flores no chão
elas muito me incomodam
acabrunham-me
silenciadas esperando 
aquele desfecho final
um Quase da matéria
terra, ar, água, átomos

As flores no chão
entristecem-me
são a anti-Vida sem Razão
sensação de vazio

um Ou
transformação

mutantes que somos

As flores em seus ramos
são grande inspiração

espalhando perfume e beleza 
banhadas pelo sol da tarde
ou até no nublado dia
acariciam a retina dos transeuntes

Certo dizer ou Não
Tem dias e coisas que se calam
Melhor?
flores no chão morrendo vão
voltam ao Ciclo 
Reviravoltas

Dias e coisas que ficam melhores
Serenas no baú
guardadas

à sete chaves

*
Cuidado com quem você fala a respeito dos seus sonhos. 
Apanhadores à espreita

Joice Furtado - 16/07/2012

Aqueces minha alma



faz frio

passeio por delícias em um dia de inverno
Surpreende-me Jardim - (s)us(penso)!
interior
és belo, mui belo

aqueces minha alma
cala o frio, Calla
de-Lírio

o frio calado faz-se
e vai

Joice Furtado - 16/07/2012

Jardim suspenso



Veredas e pontes
enveredo-me nos instantes
quão bom é sentir

Varandas aqui
letreiros e girassóis
em boa terra progridem

samambaias lançam flores
pequerruchos ramos de carícias
buquês de orquídeas e azaleias
[contentes 
abraçam-se pelos canteiros 
[sensoriais

rosas rosas
os pomos ruborizam
[maçãs também
facear de mim toda
estou entregue

passeio por delícias em um dia de inverno
Surpreende-me Jardim - (s)us(penso)!
interior
é belo, mui belo

Joice Furtado - 16/07/2012