Google+ Mergulhei em seus olhos...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O bailado do poema


Atravesso paredes
mais que fantasma ando
transparente

mágoas assolam meus olhos
viro cascata
choro
esse lençol que me habita

turvo com areias
ciscos levanto ao ar
sopro
terrores para longe
angústias assassinas

rebroto somente
espalho-me pelas margens
papel meu esse
mudo ribanceiras de lugar
abraço os peixes

/ sinto no leve bailado do poema a força
concernente ao suspiro
Esperança /

traço essas más linhas
um chá de mato-raro
feito para apaziguar sangrias

desatada sou
não me ponham amarras
grito feito louco em crise aguda 
Alardeio ais interiores

Joice Furtado - 28/12/2012

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poema das flutuações


A curva dos olhos
nos olhos
linhas
curvilíneas 

pétalas de flores
de flores
no peito
pétalas macias

pastilhas na calçada
na calçada onde passo
mais ilhas
bolhas dos humanos

nas orelhas brincos
brinco contigo
dependuro-me na íris
arco-canto

no céu eclipse
eclipse enluarado
vexado sol esconde
da Vênus a nudez
branca

na tez o pálido
branco pálido
abre-se o pálio
palpita

nas transparências da alma
da calma onde te vejo
transparências
cama e cheiro
exala fragrância
ensaio
dizeres apaixonados
e além

no inverno, o frio
frio-me faz
ausência
ainda hoje direi
verão que me faz bem
ranhuras e inconsequências
sobre a pele, sobre o sexo
sobre os nervos das palavras
dedos afiados

no jasmim tão puro
não jaz desejo
Vivo em mim 
Poético
por isso digo, vivo
nele também

Poema
assim, tu me voltas
nas voltas tuas
volta!
torna noites, nupcias 
sono perdido em alegria
goles mais goles
nas voltas que dá
o tempo
em ti eu paro-danço
enquanto tu me voltas
flutuas

Joice Furtado - 27/12/2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Vestido de strass



A tarde chega e as últimas luzes atravessam a janela para onde olho. Penso, questiono. Várias imagens passam por minha mente no exato momento, talvez nem tão exato, mas no momento quando enxergo a luz que toca meu rosto, luz essa, ainda morna. Ali, quando a mente divaga e parece que está vazia. Quando tudo que se quer torna-se diminuto diante da claridade radiante daquela esfera celeste entrando pelo vítreo. Magoo-me ante o que já foi e o que gostaria que fosse. Ridicularizo o pensamento anterior. Invento argumentos que justifiquem atitudes, volteio e volteio. Sou um bambolê! Sorrio agora. Eu imaginativa estou presente. Multiplico alegrias ainda que a matemática não seja minha amiga. Divido com milhares algo de mim, esse que julgo ser bom, porém há muitos que discordam dessa interpretação, "muitos" que não me mostram um ínfimo sequer para desaprovar o que vem da maioria. Paro com sandices! Tolices demais me deixam zonza. Olho para a janela. A tarde chega e com ela o vazio que se evapora quando surge a noite, esperança de um novo ciclo, quando a lua desabotoa o elegante vestido negro com strasses os quais são estrelas inventadas pelos homens. Aqui o estro, mais que cio, mais que fome, apetite voraz percorrendo todos os nervos. De continente a continente, a fúria poética corre, discorre seus clamores e canta... palavras diferentes a cada renascer do corpo. Células vermelhas -  luas cheias, contudo tão novas.

Joice Furtado - 26/12/2012

Taça de impressões



Minhas impressões afixo
em papéis de folhas...
há sonhos
mil

com-passos marcados
na vida, os desagravos
ensinam-nos a Ser
- isso tem grande valia - 

com-passos distintos
uns curtos, outrossim compridos
traços do seio ardente

sangue, esse impulsiona
veias
válvulas
artérias da matéria que sente

/ e se revolver, pois sempre é agora
e hoje, esse exato momento /

tão somente
sente
tal qual as batidas do coração poeta

Minhas impressões afixo
em papéis de linho-
unidas linhas 
com lápis ou caneta
também suores, lágrimas
curvas dos olhos, do corpo
copo da insPiração que retine!

justamente essa, só essa
a maior de todas as constatações

/ Todos somos um pouco loucos.
O diferencial é o que fazemos com essa loucura. / 

Joice Furtado - 26/12/2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Enseadas


Um mergulho
vazio nefando
perambulo oceAnos
sem fim


continentes estranhos
- sem teus braços Amor -
Náufrago das dores
Sou

Monstros lendários
hipócritas e suas crises
tão normais

Condenso tempestades - cúmulos nimbos -
estou

Torna ao extrato
Meu interior Atlântico
vagueia

Mova continentes
Mas venhas, cedo venhas
sobre espumas do mar
até mim

descansemos à tarde
manhã de gozo
protegidos do abissal transtorno

apaixonados somos 
enseadas quentes

Joice Furtado- 17/12/2012

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Páginas-nuas



Encaixas
desEncaixas

Nas tuas ondas Vo(o)
ninando sonhos
expectativas chegadas
tristezas despedidas

recobro vida
clareio olho(s)
teus acolhimentos
são
pétalas de desejo
íntimo oceano

tuas páginas em um livro
muitas tranças
nesta cabeça
papéis de cartas

a caixa aberta está
Coração pulsando

Inspirado no livro Encaixes da amiga Carmen Silvia Presotto.

Joice Furtado - 14/12/2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Varal de estrelas



Foto: Flick

Eu me recolho
feito lírio ao chão
planto-me de novo
aqui espero

Eu me recolho
em afazeres meus
suspiro
pelo invisível encontro
ei-lo em mim

vibrando

sinto teu pensamento
habita este interior
volteio
e nas tuas curvas passo
milhas passeio
banho de céu em mim
alua-
me faz querida

continuo amando

... no firmamento mental estendo-a
varal no peito
estás brilhando!

Joice Furtado - 13/12/2012