Google+ Mergulhei em seus olhos...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vermelho

Foto: ZsaZsa Bellagio 
Vermelho é o gosto
o ato
de fato
um beijo
morango


Vermelho é o efeito
exposto eixo
radiante sexo
atrativo mosto
embebedar-te-á
nas ligas compridas


Vermelho é o êxtase
entreaberto corpo
despudorado
exalando amores amoras
do semblante não casto

Vermelho é o desejo
ruborizando o rosto
branco pano
branco guardanapo
tingido por lábio

Vermelho é o mistério
a fúria e anelo
dá-lhe corteses agrados
Vermelho quente
Vermelho sente
na mente um estardalhaço

Vermelho é o
grito
rito
místico


passeando pelas veias
vermelho corrente
amante meu
sol no Atlântico
pondo-se às minhas costas


Vermelhas
lendas das fendas
caldas de cor
guerra sangrenta não.
prefira Amor!


Vermelho

Joice Furtado - 25/09/2012

Escalas de cor

Foto: pinterest.com
esparge as tintas
febris aberturas
abotoa texturas
colorais


Pátina
Craquelê
Tie-dye


camaleoa sentires
nada camuflados
mistura ousados
valores sobrepõe
escalas quentes


do Himalaia aos trópicos
Guiné Nova
estampa nos olhos
versos transparentes
arcos de íris
nos cabelos Brasis
esvoaçantes

desejos fixados
com sal
óxido e niTrato
reaViva as tramas


sobre os tecidos deita
água em abundância
e sol
a medida certa


Joice Furtado - 25/09/2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Abre-te

Foto: Vadim Stein

Abre minha pele
minha carne
entranhas

com fogo e lírios
Abre
o fascínio 
e derrama

meus poros
sobre os teus
exatamente repletos

Encarnada
fruta em gomos
degusta
dos pés ao céu
da boca, d(a)orta

Chama
reclama comigo
mas abre por fim
tudo que se move
entrega, respira, anela
acima e abaixo dos trópicos
umbigo é o marco aqui
arranha latitudes
horizontalmente

escancara meus ais
renegamos os tais
inquisidores
provoque mais ardores
Abre 
cabem em mim as tuas confissões
nada é todo o mais...

Joice Furtado - 21/09/2012

A dança da poesia

Foto: Marina Sturino
Quando duas
mãos
perpendicular dança
direita e canha
expressão


Vária(s)
coladas palmas
dos desejos mil
voos viadutos
muros esquinas
ideia, papel, caneta
poesia retinta


dispara o gatilho
brilham olhares
eleva estima
estigmas esfacela


egos inflados
superfaturados preços
a se pagar
máxima prestação


ela livre
vai e vem com todos
amarrada nos ossos
impregnada paixão


grita alto
libera orgasmos
não desce do salto
simplicidade revela


... aquilo que há de melhor

Joice Furtado - 21/09/2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sinfonia natural

Foto: Olivier Ramonteu
Quem me garante
o fio da meada
o palheiro da agulha
fagulha por dentro

Ah! Quem me garante
a volta para casa
a resposta bem dada
lambida no lábio
superior
também inferior


Quem me cerceia
dividido está
cruz da espada
sorte ou azar
difícil conter
meus pensamentos
pedradas garantidas

Quem me garante
o abrir do olho
o gozo prolongado
cheiro
deito nesse corpo
espalho
malho
desmaio lutas interiores
são os lugares melhores


sequer um tal
olho de soslaio
conhece


Quem me garante?
Pois é!
Somente eu
caráter
formador de mim


Sinfonia natural

Joice Furtado - 20/09/2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Arrasto

Foto: Ximo Lizana

jogo a rede no espaço
desejosa que lhe alcance
lanço atrevidos ditames
fluidos percorrem
minha alma olores

enfraquecida arrasto
palavras mal concebidas
e as suas onde estão?
nos braços das raparigas

tomam do leite 
comem com desprezo esta carne 
arrotam azeites seus
imagino

corrupções mil nestes braços
no chão da sala, sofá ou quarto
mastigo os desejos oferecidos
lanho costas enquanto ofegas
desprendo os pudores

reconhece a cortesã
nunca santa, o desvario
tonteando sua mente
procura meu arquejo em outros
mundos, outros orifícios
vício s(eu) recanto

sinto o gosto
das amarguras, tremuras
fodas pouco aproveitadas
os corpos frios em sua boca
não rogada
que cospe em sepulcros de esperma
esses não o aconchegam

suspiro
o meu canto é assim poeta
pássaro intranquilo
profusão de ais platônicos
não mais

Freud que o diga

Joice Furtado - 19/09/2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A maçã


Imagem: Marina Podgaevskaya


Degusto aromas
absorvo
memória abstrata
mulher 

mordo a maçã
sedenta
venenos assimilo

armando bote
ereta
víbora como
até o caroço
gozo

na superfície calma
ondulando ao toque
expressivo
olho e alma
hipnotizo

danço sobre a mesa
entre copos e poemas
alcoólicos

embriago angústias
transo as horas
não perco o tempo
vou com ele

Joice Furtado - 18/09/2012