Google+ Mergulhei em seus olhos...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A cínica vaidade

Imagem: Irina Todorova
Olhos cansados
lágrimas brotando
pedaços de mim


os cacos de vidro
perfuram-me espinhos
fincados na pele
sangrando

planta sem água
ressequida
canícula ligeira
cai a vida


cruel desatino
eu monstro-menino
você fada-cretina


sua sina
lida malvista
assassina dos sonhos
meus


esta louca obsessão
achando-se perfeita
paralisa


ímã
(a)traindo o infortúnio
vaidade é cínica


perplexo estou
não há mais rima

Joice Furtado - 18/09/2012

Sabor agridoce


Imagem:. Chris Dellorco

Eu procurei
com a sorte que tem o sedento
em pleno oásis
procurei, deveras sei
da minha busca incessante
olho essa mente, vasculho-a
de alto a baixo
de alto a baixo
sua ausência mortifica-me
encoleriza meus nervos
teimosos 
raciocínios sãos ou lunáticos

Procurei como o caçador
embrenhando-se na mata
ou o ninfomaníaco
medindo as bandas
provando os sulcos
acariciando
milimetricamente 
até o gozo esperado

essa ânsia de lhe ter
sentir as suas fibras
é uma tortura amiga
sadomasoquista perversão

temo não a ter
o temor mata a esperança
você me tenta ao distanciar-se
prendo-lhe a ferros
ciúmes maldito
solto e observo
das asas o bater
suave

vem em minha direção
excita-me demasiado
faz-me sofrer um bocado
é ódio, alegria, paixão

poesia, sim, eu lhe amo
é quase ou toda obsessão
escrita língua
falada, lambida, escorrendo 
diante de mim
jorra meu anseio
falo com tudo que há
aqui dentro

reinvento-me
reinicio esse sistema
materializo, desmaterializo
sonho-me
provo do gosto agridoce
beijo mordido
sabor tutti-frutti

Joice Furtado - 18/09/2012

Mistério acontecido

Imagem: Gianni Bellini
Meus poros acesos
esqueiro de plena chama
a música aqui dentro

irradiam acordes temporais
trançando forte o clima seco
alastram fogos nos capinzais

morros são pães
sonhos cristalizados na paisagem
interior
fuligenados altos em brumas


sistematizo o caos
amor-próprio sim tenho
mais e o sustenho
os pés nas nuvens decerto
é o meu prazer

dele não abro mão
nem pernas ou braços
só a mente por acaso
protejo meu coração
sempre apaixonado


Meus poros acesos
olhos correndo na direção
leva-me a corrente marota
criatura absorta
desejos em vãos, cílios, olhares, bocas
quero e
querer é o começo

mistério acontecido
ser renascido fênix sim
mas humano
contudo que preciso
mais
humano
é o peito enfeitado quando enobrece
com amor
os outros à volta


Joice Furtado - 18/09/2012

Amigos, visitem a minha página. bjusss 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ohvários mundos

Imagem: Carl Elkins

Hão de haver
entre os mistérios
infinitos das galáxias
atravessando dimensões
sim, hão de haver
ondas que vem dEla

contagiantes gostos
paladar transcendal
mais que um final
novos horizontes
semp(r)e
começos

passando pelo vórtex
oh(v)ários mundos
segundos mais
entrega e desespero
bebo
embriago os olhos
a sua procura

transfigura-me
mutante sou algo
era um talvez
hoje sim
amanhã quem sabe?
continuo

salivando
adoçando meu café da tarde
pouco açúcar, mais amor
mais desejo, mais an(seio)
guardo essa vontade
mesmo quando desabo
ainda está aqui e me fala
sussura baixinho
acordo o dia com
Poesia!

*
se não embarco nEla
corro o risco de ser atropelada na esquina
quando Ela me toma o pensamento

Joice Furtado - 17/09/2012

A guarida


Imagem: Manoj Aryan Photography
Desfolho as pétalas
escorrem entre dedos
bem
me-quer
não me quer
marg(u)arida
eis que surge
sol do meio dia

mar-me-quer
bem mais me quer 
bem
mar
guarida

...

somente em teu coração

Joice Furtado - 17/09/2012

Amorosa frequência


Armei pegador de sonhos
sob a teia deliro
você flutuando no quarto

interceptada frequência
ondas eletro-amorosas
em minha cabeça também...
por todo corpo

Joice Furtado - 17/09/2012

O dedo que meneia


Imagem: Wojciech Grzanka
do fumo vejo as entranhas
estranho Henry
Milhões de fibras capilares
glóbulos efervescentes
vermelhos e amarelos táxis
nas Boulevards, praças, esquinas
fétida, também perfumada
Paris

de fora encaro as entranhas
ideias nefandas peludas
lisas, escorregadias, quentes
lugar que brota gente
semente em semente
esterco do mundo 

observo atento ó caro 
suas palavras tocam o assoalho
cama, mesa, bancos das praças, becos
prostíbulos entre homens e meninos
mulheres da mais tenra à meia idade
Trópico paralelamente
um câncer espalha-se entre as pernas
sociedade desde a existência
lava sangrenta difunde

liberdade mascarada na exarcebação dela
mímica da  hipócrita vida

madames de rabos empinados
passeiam com suas cadelas
uma trepada por um tostão

viva! = as propagandas de cerveja
o corpo sem mente
assimilando esgotos televisivos
futilidades
morra!
dobrando cada quarteirão

da lama menos densa 
ainda lama
contemplo

riem as ienas diante da carniça
enquanto engasgam 
tripas furadas por vermes
cães sarnentos

são todos esses pães bolorentos
fomentando discórdia
apontam o dedo que meneia
para a testa própria 

Joice Furtado - 17/09/2012