Google+ Mergulhei em seus olhos...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ao cerrar das pálpebras

Imagem: Mark Arian
Encaro essa tarde que me segreda
olhando nos olhos
toca-me o pescoço seus lábios
tenras folhas de primavera
verdes-claro
sol espalhando-se pela ramagem


sorriem as árvores, morros, abelhas
coração selvagem tenho
pedra-cascalho-mato-terra
livre imensidão
cerrando pálpebras imagino

abraço nunca esquecido
cheiro em um milhão
de compassos rítmicos
enlaces de mãos
procura ávida
paixão em desatino


por aqui tudo vai bem
a não se a insônia
chegando pela madrugada


confesso-te meus segredos
em ondas sensorias
ainda te vejo
persigo o perfume nas roupas
reviro a cama


tudo indo
como a corrente que segue
rio de(i)dade


encontro-te em cada uma delas
o amor é isso
mais que um refestelar da carne
sentir a falta no espírito

Joice Furtado - 15/09/2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu quero um poema


Eu quero um poema
desejo
que toque suas mãos
deslize pelos braços
pelos arrepie
caminhe até os ombros
chegue aceso ao peito
incendeie

um vivo

poema por momento
todos momentos
eternizo

verso instrumental
ária 
(c)em vozes suspiros
delirantes
apertos
transbordando sentimentos

*


Quer(o) sim, um poema
verso sentido
desejo
que toque minhas mãos
arrepie os pelos
incomensurável poema
cheio de cálidos morfemas
tão simples
porém extremo
olho vívido

a folha branca coloriza
linhas queima
em mim cada pedacinho 


Joice Furtado - 14/09/2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pimenta de dedo

Foto: Sea Salt Studios

Tarde fria
o céu são nuvens
a boca saliva
e o coração
sempre ele
indubitavelmente
queima

recomponho
ardores indescritíveis
em poucas-muitas
batidas 
sobre a pele
sob os nervos
sexo

Tarde fria
e o que penso
continua forte
minha pimenta de dedo

picante realça
do corpo o sabor
tempero da alma

Joice Furtado - 13/09/2012

Em xeque

Foto: Piotr Kowalik
quando me dá nos nervos
simples dia não suporto
tão indignado
boneco de corda
um fio abre meus olhos

avexado
sinto, apenas sinto
as mandíbulas que aperto
linha tênue conduz o real
unifica imaginário

choro por dentro
melancólico
sórdidos argumentos ouço
derramo ódios
lágrimas de fermento

massa sou
roem meus ossos
e como é ruim constatar
estou em xeque
rindo das misérias próprias
comovendo-me com as de outrem

Grito
o som sai abafado
feito um gozo adiado
parto
incerto
ah(p)arto ideias
ideais não claros
escrevo
dedos titubeantes
soa meu coração esteio

engulo-me mais uma vez

Joice Furtado - 13/09/2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mastigando palavras

Foto: Surreal Photo Manipulation

mastigo as palavras
remoo verbos
já não encontro significados
pro-movo
perturbada e insatisfeita
encaro a colheita
olhos esfamiados
mente carborativa
estômago que ronca
enfastiado do nada
que ainda sente
vazio


uma gota incessante
pinga da torneira
noite e dia
trocada carrapeta
persiste o estigma
defeituoso


é o mundo de corrupções que habitam os podres-humanos
luto
a batalha contra dragão de duas cabeças
uma puxa para baixo
outra alça voos
cada vez mais elevados


Joice Furtado - 12/09/2012

Artificial caráter


roda barata tonta
cai e sufoca no veneno
própria embrulhada
ferômonios artificiais
os teus enganos

desonestidade à flor da pele
começa desde infância
adulterar sentenças
cavando a cova
sepulcro caiado
as tuas reentrâncias

acoitam mentiras
açoitam quem ama
derrama, derrama
as tripas na toca
semelhantes contigo leva
m(a)dama

nem mesmo prostitutas
dão-se a tal desfrute
tua honra
nem vendida será comprada
degraças e porfias
ascendem dessa carcaça
suja

detestável que infama
maldita fama leve-te
às mesmas ânsias
em vômitos descansa

hombridade ainda é moda
descartável não seja
o empinado sempre tomba
inteligência é entre todos
melhor investimento

Joice Furtado - 12/09/2012

A falta de respeito pelo sentimento alheio é a pior das podridões humanas.

Foiceiros

bato na tecla
tecla
   tecla
      tecla
digito mente
digito livre
digito pensante
dígitos de vida
morte falsária
zeros à frente
direta, esquerda, versar
avante
colecionador de letras
fonemas
vogais
teoremas universais
parabólicas
para-frases
quebra de linha
tecla
  tecla
    tecla
bato bem rente
disparo o invento
ventre cheio de rimas
anima
ânimo
não sigo a sina
sinalizo com dedos
em
tecla
  tecla
    tecla
multimídia
multi-éticas
normas não mais
só as de proveito
nula
   anula
       nulidades 
brain-lock e os tais
digifoiceiros
cortando a cabeça 
o pescoço, punho e língua
aos que se atrevem
o expressar
pensamento

Joice Furtado - 12/09/2012

Para criar inimigos não é necessário declara guerra. Basta dizer o que pensa. 

(Martin Lutherking)