Google+ Mergulhei em seus olhos...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Livres plumas



Foto: Nigel Barker

LoucaMente habito a liberdade
não existem amarras 
laços apertados demais
permissões perniciosas

um buquê de rosas
cálidas
vermelhas, amarelas
no jardim a me esperar
beijo, cheiro, arranho, anoiteço
nos braços de quem me (a)mar

olho-te confusa 
estas vagas deslumbras
cauda de pavão
aperfeiçoa minhas vistas
capricha na imensidão

então mergulho...

de frente, costas, cabeça
sedenta
arremessos sobre ti
sem nenhuma pressa

Joice Furtado - 11/09/2012

Ao cheiro de Calla


Inspira, respira
estremece em rimas
suaves-veementes
atrevidas
mãos deslizam paixões
imediatas ânsias
sobre o corpo vertem

pisca os olhos
bata as palmas
salta
meu coração
beba

desejo sobre desejo
sob a pele que rende
tramas 
delícias de fios

ao cheiro de Calla
encarnado lírio-beijo
agita minha fonte
por tuas carícias 
amor
transbordo águ(a)rdente

vulcão tropical
(e)levo oceano
dentro de mim

Joice Furtado - 11/09/2012

Desaninhado


Foto: Andreas Heumann
Não sei como dizer-te que minha voz te procura
que sinto tanto mais cresce esta lonjura
vontade que atravessa os momentos
montanhas, rios, vales, pensamentos
Não sei como dizer-te e me exaspero
disparo meus versos desengonçados


busco encontrar-te pelos caminhos
olhos que passam pelas esquinas
simplesmente és tu, ó vida, levando meu suspiro
quanto mais desejo, sigo ritmo inscontante
inalterado anelo este que me guia
Não sei como dizer-te e minha voz tremula
bandeira sobre o local mais ingrime ainda figura
são meus olhos a te procurar, minha boca que saliva
és tu marcada em cada parcela ínfima
dizer-te é pouco para expressar
então me deixe mostrar a corporal poesia
a linguagem mais íntima e sincera
mergulhar-me em ti e transbordá-la
da mais ardente entrega


minha voz procura-te
ecoo milhas de milhas
náuticas, quilômetros acima
túneis transcorro, salto os morros
morrendo não, vo(u) sopro
alento-me dessa tua guia
rosa encarnada de lábios sedosos
és tu meu gozo, embalo-te nele também
encharco-te do visgo deleitoso que me arrancas
com luas, anca senhora, seduzes na alcova
jamais deixarei de dizer-te
acima dos mais tristes momentos
em cada lânguido instante em meus braços
amar não é todo sofrimento
ao menos metade
a outra é céu de contentamento
todo êxtase invade minha pele colada em ti


Agora sei como dizer-te da minha voz
corpo, alma, poemo-te em cada sombra
luz, árvore, pedra, quadro, ó ternura
dos olhos meus és a moldura
certo Encaixe!
uma miscelânea deliciosa
junto peças em um quebra-cabeça
estraçalha-me todo esta tua falta


vagueando por imaginárias ondulações quentes
eis que sou pássaro fora do ninho


ConVersa com o poema de Herberto Helder postado por Eduardo Lacerda

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ainda existe o sol

Foto: Peter Henry Rudolph

Impaciência
crescente por crer
persiste
um grande abismo
está lá

onde os olhos fogem
onde a lua morre
e o sol nem cogitou nascer
o horizonte no pensar
é dor, é praga, é fuga

circulo de pedra
sacrifício
um ter sem mencionar
a inconstância
a raiva inerente aos maltrapilhos
ácidos que corroem o íntimo
é ódio, é mágoa, é desatino

perambulando sobre a cabeça
dentro dela, fora dela, entre-meias
sapatos sujos de lama
é ausência, é descrença, é desonra

o caráter forjado na malha quente
fria espada atravessa rente
o coração que arde, que pulsa
impulsos coerentes só tenho
an(s)eio
e nesta auréola a roda dentada
da vida exibe cicatriz re(s)sente 

...

Porém o sol queima ainda
viaja anos-luz 
propaga desejo
surgindo entre as nuvens

*

Joice Furtado - 10/09/2012

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Enquanto houver sol - Titãs

A medida certa de mim


Foto: Vlados

Esse ardor no peito
angústia passageira
eu que me dirijo
automóvel 
combustível explosivo

Assim o que sinto
pressinto e reajo
maltrato pensares
os ares queimo

crio ideias mirabolantes
volante de mim
viro as curvas da mente
chego crescente
do chão levanto

um choro no canto
olhos tristes são marcas
ressaca que vem e vai
tempestade 
também torno ao cais

quem me resiste?
resido no infinito de mim
e por isso faço-me tantas
caráter que consome
alimento e fome
medidas a punho
sobrevivo

força é o que nos faz levantar os olhos
quando à volta o ar é pesado e intranquilo


Joice Furtado - 10/09/2012

Guerra e Paz


Imagem: Brian Viveros
Na linguagem da guerra
inimigo com inimigo
forças unidas
um só propósito

sentidos apurados
degustam entusiasmos
malogradas esperanças
migalhas de lembranças
sangue derramado

ruas tingidas de negro
cinza, rubro-escarlate
vários escombros
o pior dos assombros
é bicho-homem acuado

paranoias, ideologias inventam
histórias mirabolantes 
cabeças com distúrbio original
pintam alucinações em cada muro
aproximam a  loucura do real
despautério 

A guerra só é arte
quando em papel e caneta
usando a mente que aproveita
palavras de ordem e paz

filas de soldadinhos de chumbo
por proteção cometem tanto absurdo
este não é um mundo
é um cela de leopardos 
famintos

por petróleo, água, madeira e gás
consomem dos rins ao cérebro e tudo mais
vermes devoradores da carne humilde
sua voz são balas perfurantes 
arrotam orgulho e ainda palitam os dentes

Joice Furtado - 10/09/2012

domingo, 9 de setembro de 2012

Ondulações


Não sei como dizer-te que minha voz te procura
que sinto tanto mais cresce esta lonjura
vontade que atravessa os momentos
montanhas, rios, vales, pensamentos
Não sei como dizer-te e me exaspero
disparo meus versos desengonçados


busco encontrar-te pelos caminhos
olhos que passam pelas esquinas
simplesmente és tu, ó vida, levando meu suspiro
quanto mais desejo, sigo ritmo inscontante
inalterado anelo este que me guia
Não sei como dizer-te e minha voz tremula
bandeira sobre o local mais ingrime ainda figura
são meus olhos a te procurar, minha boca que saliva
és tu marcada em cada parcela ínfima
dizer-te é pouco para expressar
então me deixe mostrar a corporal poesia
a linguagem mais íntima e sincera
mergulhar-me em ti e transbordá-la
da mais ardente entrega


minha voz procura-te
ecoo milhas de milhas
náuticas, quilômetros acima
túneis transcorro, salto os morros
morrendo não, vo(u) sopro
alento-me dessa tua guia
rosa encarnada de lábios sedosos
és tu meu gozo, embalo-te nele também
encharco-te do visgo deleitoso que me arrancas
com luas, anca senhora, seduzes na alcova
jamais deixarei de dizer-te
acima dos mais tristes momentos
em cada lânguido instante em meus braços
amar não é todo sofrimento
ao menos metade
a outra é céu de contentamento
todo êxtase invade minha pele colada em ti


Agora sei como dizer-te da minha voz
corpo, alma, poemo-te em cada sombra
luz, árvore, pedra, quadro, ó ternura
dos olhos meus és a moldura
certo Encaixe!
uma miscelânea deliciosa
quebra ou não quebra-cabeça
somente me quebra a tua falta

requebra para mim
em ondulações mais e mais quentes

ConVersa com o poema de Herberto Helder postado por Eduardo Lacerda