Google+ Mergulhei em seus olhos...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Morenando

Foto: Renso Castaneda 
Moreno gosto
Moreno cheiro
Moreno jeito
Moreno rosto
Moreno apreço
Moreno beijo
Moreno pelo
Moreno quente
Moreno sente
Moreno respira
Moreno inunda-me
Moreno afunda
Moreno cabelo
Moreno dedo
Moreno desejo
Moreno pejo
Moreno tem
Moreno foge
Moreno olho
Moreno retém
Moreno calor
Moreno soul mais
a sua cor
delícia!


Joice Furtado - 05/09/2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Alegria em cores

Foto: Van Reselar

Hoje dei cambalhotas
saltei por dentro
gritei a plenos pulmões
doidivanas nas multidões
maluca beleza
completa, mas sem grandeza

altas só plataformas
palavras virtudes erros
certeza
eu sou feliz!


Joice Furtado - 04/09/2012

Im-pulso poesia


Foto: Van Renselar
Im-pulso
repuxo frenético
realizo revolve
sangue nas veias
cora o rosto
arde as bochechas
saliva boca

anseio
fogo de entusiasmo
rebrilham os olhos
percorre a teia
tramada estrada cerebral

mulher de lua
fases alternadas de movimentos
aqu(í)ntimos
mistérios no delicado cristal

arranha a carne
avolumam lampejos
dentes cravados na pele
no ar, nos medos não mais
desejos gestuais
crescendo

helicópteros, hélio gás
não subo à toa
quente e-leva
só contigo vo(u) alturas
atoo veleiro alado bem rente
em ti, por ti, com nós
seguros sentimentos

Joice Furtado - 04/09/2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Peregrina


Estou a fim da palavra peregrina
uma conta de lágrimas trina
emoção pura alegria rítmica
expressão enfática lírica
soltar sentimentos do nó
levantar do chão o pó
descondensar as partículas
semicerrados olhos em rimas
prazer que alterna movimentos
quero todos os momentos
a sorte que me toma e anima
alma ave voando acima
estendida nos ares a liberdade

exaltar o sonho em toda idade
descer das nuvens 
e novamente alcançá-las
abrir imaginativas asas
compondo versos ao infinito
preencher a infinitude com dito
recôndito abrir do mistério
amores e impropérios
não se devem esconder

as sensações íntimas
meu olhar a imensidão decifra
entendo pouco da metade
vou seguindo a intensidade
um querer sempre constante
sou meu sol, um ser amante
vivo além e ainda em tempo
piso sobre os contratempos
fortaleço o peito num sopro
elevo-me hoje de novo
minha força é o meu querer

as sensações íntimas
meu olhar a imensidão decifra
parto-me permito-me nascer
renasço a cada despedida
fechando meus olhos à noite
deito-me em travesseiros macios
brincando sopram meus ouvidos
tal qual carneiros saltando cercas
balançam, rodopiam as letras
poemas dos mais bonitos
quando acordo procuro-os
reviro com rigor as ideias

onde estão vocês que me assaltam?
deixam-me o gosto que preciso provar
e contar, falar, cantar, poetar
Amar-lhes poesias


Joice Furtado - 03/09/2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Amor que refaz

Imagem:  Ricardo Casal Paintings

É tão bonito como você anda
incrível
quando seus pés tocam o chão
leves
assim muito delicados

Sempre apaixonado eu poeta
percorro as suas curvas
enfeito os caminhos sincero
imagino mundos 
significo-me mais

sinais de fumaça vem vindo
em minha direção sorri
ainda encolhido e tímido
homem de palavras

vivi várias luas
cheias, minguantes, amantes
festeiras, falsas, hipócritas
enganadoras
vivi longos instantes
até que lhe conheci

uma música inunda-me
as veias até os dedos onde toco
as folhas onde impregno as impressões
desse olhar matreiro moça 
não sou mais criança
porém em seu corpo renasço

várias semelhanças
compartilhamos vida
esqueçamos lembranças
ruins são só desígnios passados

façamos amor, amor refaça-nos
acolha
o seu ser nesse meu
íntimo respirar
fotossintetizamo-nos

Joice Furtado - 02/09/2012

O preencher feminino



"Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte. Ele não é solitário. Ele é ocupado. A memória de nadar no líquido amniótico lhe dá energia, completude. A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia. Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra. Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem. Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser. Mas para uma mulher, o clímax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela." 

Anaïs Nin

Fonte: Blog Anne Petit

Retratos

Foto: Joyce Tenneson

Deitado sobre ventre amado
o homem reconforta-se
descansa antiga criança
emocional

apegado ao seio macio
calor evaporado é música
fresco ar-respiração insufla
pulmão triste de não respirar
antes o fluido abraço

na sinuosidade feminina todo encaixe
fusão
aprofunda-se quem vibra na chama

Deitado sobre o ventre brisa
sopra serena no rosto encanto
carne jornada além-terra
morte-vida em minuto

a força retoma prumo
rios incandescentes nos lábios
supra e inferiores 
mulher-útero em deleite

suas lágrimas são chuva
molhando a terra 
olhos-automóveis
autos-retratos
vasto amor

Nas solidões mulheres
há pegadas que se dispersam
sempre uma nova caminhada
recomeço

dentro daquelas todo o desejo
surpreende e perpetua a natureza
envolto em seus peitos
homem-consciência de si
os dois intervalos 
mesmo espaço-tempo
as retas unem-se

no ninho decidido 
pássaro
alimenta-se de certezas
só quem gosta
mais espasmos provoca
real beleza

a joia mulher fala não só ao falo
importa-se
com si e com quem ama

sacia
alucina
preenche
sobre feminino ventre
o homem sua forma revigora
a mulher o sente e ao se preencher
goza

Joice Furtado - 02/09/2012

Inspirado em texto de Anaïs Nin