Google+ Mergulhei em seus olhos...

domingo, 5 de agosto de 2012

Aqueles olhos tristes

Foto: Gustave Courbet

Aqueles olhos tristes evocam o elo
da penumbra teus olhos tristes
escumam meu peito 
por teu olhar ainda velo

corpo das brilhantes escamas
sopro da lua derrama
mágica língua de amar

ao meu ver olhos tristes
com tudo o que posso anseio
quanto desejo neles estar

o sono, quão louco, de mim foge
reviro-me em assombros na cama
à companhia do teu olhar
tão triste e belo

ando cansado, ando cego
ofuscado pelos lumes incessantes
faróis que mesmo distantes
confundem-me todo pensar

braços de branca-pérola
unhas cravam minha alma
enredo-me aos poucos nas pernas
nuvens úmidas-entranhas 

por esse olhar triste prossigo
no olho do furacão

Joice Furtado - 05/08/2012




sábado, 4 de agosto de 2012

O liame das emoções

Foto: Visioluxus

Bom é quando chegas
eu, em silêncio, saúdo-te
com olhares-curativos inundas

meu orgástico orgão-sismo
encapsulamentos afetivos
interação sistemática

rendo-me com olhar festeiro
enovelo o teu pescoço
ajeita-me em travesseiros
de sonhos

passeio pelos jardins campestres
debruço-me ao parapeito
olhar-menino tens

homem, teu é o fascínio
chegando rompes o vácuo
os lenços caem
meus desejos são todos laços
apanha-me no ar e o tiras
esvoaço

tal qual a borboleta em migração
emigro a este canteiro de acácias
acaricia habitar o coração
cerne dos mais querentes suspiros

à velocidade da luz
um piscar e de repente
quando chegas devolve às horas
o tempo que intensa sente
a mágica de se aproximar

essa a qual te seduz
chama-te do silêncio, voz suave
ameniza-se em teus ramos como orvalho
pousando-te sereno de luz

danço em teus poros pela madrugada
cubro com o lençol úmido-quente
evaporo aplicados aromas

Bom é quando chegas 
de mansinho, ativas intenções
embolo-me em ti e em meus cabelos
tu és o liame das emoções

ronrono e aliso os pelos
meus brilhos são os teus em instantes
arranho, devoro os anseios
exce(lentes)

de contato e carinho viajante
vens nas curvas de minhas estradas
refazes teus-meus caminhos
frequentemente

anseio que chegues, anseio de todo
hoje e sempre!


Joice Furtado - 04/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A multiforme-alma


Foto: Elis Regina
A alma grande mar aberto
horizontes a perder de vista
revolto quando em tormenta
plácido e limpo na calmaria

detentora de mistérios mil
esvazia-se do caos nas letras
multiformes, facetadas em cor
alma simples e direta anil

sufocações e desavenças se acolhe
espinhos replica, triplica dores
alma chorosa sangra só 

a poesia

por todos os poros, por todos os cantos

louca em camisa de força revolve-se
desentendida nunca quem a escolhe
de todos os segredos conhecedor é

Universo em profundeza

bela e gentil com sua grandeza
alimentada faz-se forte-medianeira
humilde de mãos e braços dados
carrega no peito nenhum embaraço
alma livre só deixa rastro 

de estrela 

luz aos dias sem nunca apertar o laço 

Joice Furtado - 03/08/2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

De todas as flores Rainha

Imagem: Modern Monalisa - Arthur Braginsky

Magnólia mística liso traço
ruboriza um facear símplice
quando a tomo nesse braço


Magnífica doçura vem de ti
perto dos meus olhos finura
quanto mais canto a ternura
perfumando segue no jardim


teus encantos florais são raros

minha rainha entre as horas
de hora em hora não a nego
sinto o aroma que me apego
neste fino cacho óh senhora


lágrimas de amor em segredo
sofro tua falta o desassossego
invade-me de assalto a alma


estremecendo no quarto vazio
lençóis espalham-se na cama
entregue toda como não amar
mulher em pleno-ardente cio


*

e as lágrimas sem de noite o perfume
que dos anseios meu lume és
encantado ramo


estendo meus olhos a ti 
desejo o afagar singelo
que te amo-quanto belo


é esse amar
Joice Furtado - 02/08/2012

Amada natureza floral

 Imagem: Arthur Braginsky
Gardênia flor de fino traço
solariza meu olhar tua guia
envolto em pescoço o fado

Magnífica figura de tátil
pétala alva com nervuras
delicadas ao ver extremo

extenuo em ti minhas duras penas
queixo-me de fato tantas longuras
afastando minhas mãos das tuas

e as lágrimas sem de noite o perfume
que dos anseios meu lume és
encantado ramo

estendo meus olhos a ti
desejo o afagar singelo
que te amo quanto belo

é esse amar

desejo-te o rápido pestanejo
cílios espontâneos admiram
magnética e autêntica beleza

atrai-me ao teu reino verde-branco
atrai-me transparente-lindo manto
vibrações reais cintilam à volta
virações de estrecimento triste é
tua falta

no quarto a luminária acesa
incenso que brumas espalha
a dor dessa ausência
creio que ainda valha

esperança essa que irá sarar

com a chegada de Gardênia flor tão rica
num lampejo reviro teu delicado colo
os seios com beijos e a testa
umedeço ávido o lençol-solo
em que brotas, vingas, vigias como rainha
adorno de enternecimento é teu olhar


Joice Furtado - 02/08/2012

Aquela árvore de jasmim (Gardênia) no jardim da Igreja principal, centro da cidade, deixa-me até brava, pois eu quero uma daquelas flores. Perfume maravilhoso. =)

A nascente cor


o alvor da pele é prenúncio
do meu em teu desejo
prefiro os sinais do corpo
mesclado gosto do beijo

caramelo-açúcar em delícia
pardo com estrelas luzentes
morenas sobre mim
tuas constelações nascentes

tintas com que marcas meu seio
teus pelos, meus alvoroços
senti-los roçando esse colo
concebe rios transparentes

enquanto olho em teus olhos
enxergo as infinitudes dos mundos
todos eles
[nossos
Joice Furtado - 02/08/2012


Alvorada Vênus


Amanhece em mim
entre sopros e ares
azuis de azuis
céus (en)tão graves

sentimentos orbitais
principiam sempre

lunar translação
rotações com Marte na dança
Vênus troca passos aos pares
sapatos de estrelas 

comovem fantásticas nebulosas em assombro

coração que dispara, despista, arrisca, coroa-se
envolta em quentes e suaves lençóis galácticos
Feliz união


Joice Furtado - 02/08/2012