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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A volta ao mundo em um segundo


Os mundos humanos
mumificam alguns
[somos
estranhos no ninho
da eterna ignorância

atônitos estamos 
sós
[sempre quanto mais
deixamos para lá
cresce a distância
redobra, multiplica
ânsia
volante, revira-volta
dirija o peito contando
com tanta dor
co(m)tato! Zarpe
Navio interior

Joice Furtado - 04/07/2012

Nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.
[Elis Regina]

A volta ao mundo em um segundo ou Das múmias que não são Faraós

Entranha que estranha fantasmas

Foto: Ben Goossens

O pálio aberto
espanto o medo
convoco o céu
miríade de anjo
aliado 
[aliado que é
nem sempre será
afável
alheio nunca

tampouco alienado
extraterrestre
extra-humano
ex-húmus com bosta de minhoca
Ainda assim São

Jamais alheado, estranhaMente
entranha a música das cordas
pulsa-pula alto e a entrega
Coração

Joice Furtado - 04/07/2012

Entranha que estranha fantasmas ou O mito do coração alienado

A língua osmunda

Foto:  Ahrum-Stock

O luto que assim ignoras
é cheiro de carne putrefata
cal sobre a sepultura ingrata
fel dos dias, sombra das horas


fogo-fátuo na madrugada
amedronta a retina do humilde
cão revira-ossos e-mundo cutâneo
arrepios apresentam-se no reflexo
empurrão da fé malograda


O luto que a alma carrega
no lombo o asno sofrendo
eleva-se o cheiro da brasa
queimando no peito e cabelos
fumaça fétida no ar cheira


Escuta o gemido do tempo e chora
ora aqui e acolá corrói a traça
destroça pensamentos, estraçalha
tudo que pressente belo guarda
afaga a mão que também acariciará


Face à face, dente por dente


a terra abre-boca língua osmunda
trapaceadora trespassa oriunda
do pó aos-pós consomem-se glicéricos
semi-serrados olhos, pouco-normais
desnaturados prosélitos 


Vermes!


Joice Furtado - 04/07/2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Contando estrelas


Eram os olhos dele
Só ele
con-tanto ele só-
ria mais
Olhar de menino
soltando pipa
papagaio na lua
que brinca-brinca

Sorri
assoVia e indo
fiu-fiu
Lácteo nas nuvens
desNu(do)-vem

Galáxias
lãs dos carneiros
voadores
mais-amor
Era

o zói-estrela
gato na cerca a ronronar
miau-miau
bichano meu -gato
estrela a me estelar
constelação

Vejo o céu sem noite
começa pela boca
Beija, beija
Gato-estrela-miau. beija
olhar meu estrelado
neblina agora não há
lado de cá
limpido e tranquilo 
delírio
paisagístico espelha-te
desejo lago tal
Olho-gato-estrela

Mi-Uau!

Joice Furtado - 03/07/2012

Tudo que é lei-a-se


Que ardor é esse no peito?
Será azia? Será o medo?
Frustração
Causa e efeito
Bate-pino, pula-corta
obstáculo

A angústia que os move
para frente segue o homem
quando não olha para trás

Revira os pensamentos
Observa a volta
sempre vem!

Lenta e calmamente o sabor
de(gusta) os frutos da Vida
amarga-doce
destila e guarda
Agu(ardente) na mente
(re)chaça

a língua requintada em suplicas
através do tempo
perdidos -os anos aos poucos- momentos

Silencia

o ato, com tato, atua em alma
Elabora

Quadro nada-artificial

Interior Ser
Interiorize, mas expresse
Experimente, externiz(Ato)
ser o que há de melhor

Abra mão dos dilemas
Lema (sou) lema. é!
Viver

Coração

Joice Furtado - 03/07/2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A concha

Foto: Alexandre e Cristina Lima

Deitada à beira do corpo
a beira da alma transborda
beirada de-Vida
espirais em vira-volta
format(ação) transformante
recrio os mundos espiralais
anéis de saturno tenho
nos dedos das mãos envoltas
constelações 

em meu peito amante
espumas 
amo quando me toca
os cabelos de ondas
ondeada eu vou sorrindo 
afasto brumas

patino nas alamedas do então
presente!
transcendentais vias
eu em eu mesma revigorante
respiro respeito rescaldo
o néctar exteriorizo suavizante
paixão

retiro a capa que me impede de sentir a força da onda
atiro-me de peito aberto 
já não me chegue ao ouvido
ouvida-meu seio bem perto obterá 
de mim toda
senti(n)do

dádivas da natureza
pérolas
em meu pescoço laço
de conchas dou-lhe segure-as
minhas mãos enlace
às suas 

Joice Furtado - 02/07/2012

domingo, 1 de julho de 2012

A lira que nos habita



Per[corre]s-me em cadência de lira
ritmado prossigo enquanto tu guias
pelos rios fluidos e quentes desejos
meu-teu[cor
ação

alongado nas palavras com [rimas]
pronuncio aos ares folhas no vento
De[lírios] e rosas sobre a cama vão
emoldura-me e [figuro] ao teu lado
Co[n]stela
presa aos compassados toques ardo
[em
Canção 
que me tomas com semelhante jeito
Danças comigo de tal modo inebria
minhas mãos direciono nesse peito

de[lira] e sonhos bem definidos dita
sussurradamente que tu queres[meu
olhar sobre o teu assim é o fascínio
de música cantada ou alma perene-
imortal ao som que de ti se anuncia
Liberdade

sorrindo as veias pronunciadas aqui
metidas em palavras e organizadas
querem gritar Amor ao mundo assim
Instrumento meu

poema 
explosivo perfaz a pequena distância
amar-a-[tona] tónica a pele umidificas
abrindo os poros -descruzando pernas
lambendo as vírgulas

quentes, famintas e trêmulas
penetrando alma/espírito com avidez
rio-me ao gozo das correntes ígn(e)as
transformada paisagem por cada vez
que encontro 
abertos os caminhos 
rochas escandantes as águas almejam
meu exposto, teu depositário
estuário de mim 

Todo sou- feliz

contigo o litoral a[dentro
entre céu e terra, ar e sal
boca em boca teus lábios
meu rio cheiroso- jasmim
a[colhendo]-te no quintal
[Seio

caloroso-
momento

Joice Furtado -  01/07/2012