Google+ Mergulhei em seus olhos...

terça-feira, 22 de maio de 2012

O espinho da laranjeira




A dor que me desatina
é dor-menina
cheia de manha

Espinho de laranjeira adulta
natureza abrupta
arranha pra ameaçar

Leite azedo, pão bolorento
Raios paridos nesse intento
não sabe o que é estar
e viver 
consciente de si mesmo

Eu espalhador dos ventos
boca suja dos infernos
alma boa quer chorar
e matar também

mato-a dor, meu desagravo
piso em sua cabeça
como se esmagam os ratos

esmigalho os truques
baixos chorumes renego
depois me banho no mar

na calmaria que me toma depois que o expresso
belo-louco pensamento

Joice Furtado - 22/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ao abrir da porta



Recolhe as tuas rosas
as roupas do armário
tudo que de ti sobra
aqui

Recolhe o teu orgulho
ferido
Machucado homem-banido
dos amores e olhos
meus

Recolhe ainda os calores
suares e perfumes 
as marcas da alma
os veios na pele
corrediças breves
paixão e seus negrumes

as nuvens e a melancolia
levas contigo todo dia
eu enfim me levarei
recolhendo os pedaços
no frasco inexato
juntarei

As medidas, as alegrias
tudo que vale na vida
são minhas hoje em diante
Sem mais ou menos palavras

Por fim as conquistei

Joice Furtado - 21/05/2012

domingo, 20 de maio de 2012

Violetas




O meu olhar se perde
e eu sei
onde vão esses desatinos
onde vão os meus eus
dramaticamente vividos

O meu olhar se perde 
na imensidão de mim mesmo
vagueio como ave e transcrevo
meus eus no finito enredo

florido 

Cada mínima gota do orvalho
obrando na pele violenta
violetas brotam em canção
estarei a sua espera 

sonho querido

Joice Furtado - 20/05/2012

Cafeína




O poeta é um louco
ainda assim
cai-lhe bem o desatino

passear por tantas eras
descobrir-se
rei, sacerdote, homem-menino

O amanhecer da mente lhe pertence
alerta 
a você e o próximo
cafeína rompendo o sono

cáustico das multidões
poeta

Admire as tribulações
elas o conduzirão
a mais caminhos entrecortados
pulsantes no coração
sedento!

Joice Furtado - 20/05/2012

sábado, 19 de maio de 2012

Aflorando




Quando a pele queima
os desejos falam
quero suas mãos deixando-me calma
o suar da noite, tarde e alvorada
fazendo por completo, excitado
o gozo sair da alma

ao toque do pulsante e rijo
latente, vibrante, atrativo 
Prazer e forma 
por ver em fogo seus traços, a cor
afloram os lugares escondidos
despi-lo dos preceitos, desafiá-lo
diletos incensos
nossos jogos de amor

Bocas entrecortadas por beijos
cheiros alucinantes no ar

espalhados pelas cobertas, cama 
quarto, cantos da casa, banheiro
impregnados nos poros 
cada partícula mínima
fértil e sedutor inspirar

Fragrância

roçando e queimando o calor
deglutir seus ardores esperados
fluidez orgástica 
reinante, governadora do todo
plenitude magna, original delirar

Baseado no poema "Desejos" de Manollo Ferreira

Joice Furtado - 19/05/2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Trames



Olhos de serpente
Boca de donzela
Dama das meias-noites
Afamada 
Cio das cadelas

de rua, de luminárias
quebradas dançam nuas
suas ancas em balanços
orgásticos mantos
na penumbra severa

transes de trançadas pernas
alcóolicas lendas
histórias infames
entoadas despidas do alto
amaldiçoados no baixo trame

Atirem-se aos vexames!

bundas caídas
vis pusilânimes

Ainda que o mundo gire
com ele todas as emendas
os esgotos e ratos-humanos
subjugando serão de seu paraíso
sempre
Reis de merda

Joice Furtado - 18/05/2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Imaginável esfera


Cavalos de fogo
Com mil trotes passados
troteia em minha mente

Você que me seduz
pétalas imperfeitas 

Pensava no lampejo sacro
claro vem ao meu ouvido
com profanos a induz

Nada de Aves minha quimera
conta somente os belos dias
rondas noturnas no jardim
plena
só a você coube a primavera
minha

Contemple o líquido Universo
beleza nos olhos
ressaca ou mistérios

Se me corta as lágrimas
dos terços aos termos
eu lhe encontraria
em muitas imaginárias esferas

Ainda que fosse meu monastério
eu nada-raro homem
de prazeres enfim
alegremente viveria

Joice Furtado - 17/05/2012