Google+ Mergulhei em seus olhos...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ecoando



Deveras não sou tão romântica
nem expressiva ou coisa assim
perdi-me das flores na infância
hoje as vejo e elas seguem
alheias
quando passo pelo jardim

Meu cabelo não-alisado
a química que bebe é pouca
econômicos shampoos baratos

Economizar não é arte, tendência natural
maléfica
dessa atualidade

Cresci numa ânsia louca
De ser grande, grande ser
da comida, da grana, da casa
nada enfim faltou, mas pouca
coisa não se pode acrescer

Aprendi com a vida e ela
ela se desorienta comigo
Até os profissionais perderam
ante a esse ser resumindo-ou
constantemente faminto

Leão na floresta de pedra
finitinha selva do vale
cadê a minha pérola?
Troça de mim, bem sabe
E eu ainda a amo
Cidade

Pra quem me deu um tapa
Não o lamento 
Minha face não é lata
mas ecoo em seu

Conheço bem o sofrimento
Rio-me, gargalho
Perto está o meu momento

É a hora do novo... Uni-verso

Joice Furtado - 16/05/2012

Terra da fantasia


O quarto quente respira
feromônios em lençóis suados
erguem-se nuvens sensoriais
atravessam controverso cenário 

A luminária torta é só um detalhe

Escrachado no-puro
talvez usassem as palavras certas
impregnadas por incertezas trêmulas
Nada mais

Ecoa o prédio
do silêncio ao tumulto
não há mortos nesse templo
fundidos afogados vultos

Agitando as malhas proliferam
trovões 
aí vem a tempestade
aspergindo euforia, vasos carnais

Bocas e assoalhos
chocam-se os átomos
arrepios e talhos no caminho
coloridos de esmalte vermelho

raios e pressões
estridentes extenuados
diversos gargalos e bebidas
O secreto nem tanto vale 
quando se vale, quanto,
da terra da fantasia 

Joice Furtado - 16/05/2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

Espelho da alma



Tarde chuvosa, despedi-me do livro 
intensa, olhei-o como a um irmão, amigo
adeus ressentido, esse que dói no peito


Deveras quis levá-lo de volta
carregá-lo comigo, embalá-lo nos braços
fazer seus os meus segredos e os dele
todos já bem enternecidos


Da prateleira empoeirada, companheiros
saudavam-lhe o regresso ao lar mortal
pois quê imortais são suas palavras
estampadas, tingidas em cores não vistas
reluzentes dançam, vivas há no plano astral


Ao olhar a minha volta
um último adeus ao meu amigo
sorrindo compassivo ainda me disse: 
Vá em paz, estarei contigo!


Ao terminar de ler o livro Espelhos da Alma - Kahlil Gibran

Joice Furtado - 15/05/2012

Rio menino



Vens serpenteando a Serra
cristalino, ligeiro menino
brincando de esconde-esconde
pique-pega na paisagem 
atlântica mata ciliar 
sorriem ipês às tuas margens


Paraitinga e Paraibuna
meus pais, irmãos de luta
embalaram-me no berço
Sou filho do apóstolo
do ouro e do café 
São Paulo, Minas e Rio
em mim surgiu a fé
Aparecida


Navegável eu era
esplendoroso pelos vales
caminho de chegada e partida
corredeiras, declives e subidas


Um mar ruim diz o tupi
chora a flora, chora a fauna
hidrelétricas proliferaram
as águas transpostas 
para a sede matar - Capital
dor aqui e ali, poluição
já os peixes não dançam nas águas
chorando definha o coração


Minha pátria amada
Não és gentil
dou-te amor, líquido da vida
Agora não bailo, não canto
derramas fel em meu quadril


Atolado em metais pesados
inseticidas, esgotos e poluentes
arrasto-me, sufoco-me, desfaleço
nas ensebadas águas correntes


Esperança e tristeza estão juntas
das minhas margens continuo a busca
sem nunca as encontrar
Sou guerreiro quase vencido
meus olhos rebrilham ao ver meu rei
O grande mar


Ai de mim que sou Paraíba
nasci ruim, morrendo eu vou
amargosa a minha sina


***********


Minha Barra do Piraí
mataste-me em prol do progresso
Estou indo, desapareço
bebes os meus amargores
e ficas aí a fingir, des-plante,
que tudo em ti serão flores


Joice Furtado - 15/05/2012

Poema inspirado no "Velho Chico" do amigo Manollo Ferreira 

Fontes de pesquisa:

http://www.jendiroba.com.br/downloads/faap_rio.paraibado.sul.pdf
http://www.inea.rj.gov.br/fma/bacia-rio-paraiba-sul.asp

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Atrativo


Noite de lua
ressaca no mar
mar-e-lua beijando-lhe
nua amar

Simbiótica
União harmônica
força e melodia
ainda que a praia assolem
ondas
espumas bailam na calmaria

Olhos seus
fúria e mistério presentes
arrebatam no peito
marés de outono

Movimentos atrativos
gravitacionais
ode aos encontros
desenvolvidos sonhos
plenos
nosso amante cais

Joice Furtado - 14/05/2012


O que plantamos?





Considero tamanhos desagravos:


não amar, desamar, mal-amar, amar-o-mal, vivendo como o tal des-andar e assim permanecer, sem nunca saber o verdadeiro significado do amor, simplesmente o negar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O bosque dos sonhos



No bosque dos sonhos
árvores luziam estrelas
os deuses
com olhos rasos diziam
conservemos enfim honrada
a mágica e rara beleza

No bosque dos olhos
folhas de cristal pingam
orvalho cálido da noite
enquanto vaga-lumes pomposos
dançam a música das eras

No bosque à meia noite
sopram os ventos mornos
entre brumas como açoite

Os seres celestes cantam
trazendo do céu romaria
para ver o bosque, regozijo
contemplar tamanha alegria

No bosque de insondáveis anos
milhares de histórias e lendas
derrubarão quimeras das árvores
impelidas tristezas
aos quais aprendizado reserva

Nesse lugar esconderijo
recolhem-se florais minúcias
paixão e delicadeza
mimos das ninfas selvagens
zelosas da natureza

No bosque luzente, repare
os sonhos em correnteza cíclica
navegando pelo rio crescente
os homens-amantes da vida

Amada vida

Joice Furtado - 11/05/2012