Google+ Mergulhei em seus olhos...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Rastejante



Perigosa
danosa e tolamente atrevida
carrega um rei sobre as costas
escorpiões em ninho à barriga

Sob o hábito santo
qualquer esquina
habituada ao disse-me-disse
Sabe que é profana
profanadora língua ferina

compõe a sua sandice

Perpétua, a louca
maria-vai-com-as-outras
esbanja desassossegos
inegável mente frouxa
bolinando no escuro 
seus incultos segredos

mete a mão na cartola
falsária
é a hora da mágica
meia noite virará
o que deveras sempre fora

Cobra!

Joice Furtado - 11/05/2012

Valha-me



De nada valho
ainda que valha muito
considero
o que mais me valha
valha-me Deus ainda

navalha que corta a carne
o cabelo e a mandíbula
de tudo o que me valia
avalio no peito o talho
sem nenhuma simetria

retalho a mente que pensa
formatos pensantes em-baralho
o que pensaria hoje
amanhã já nem me valho

poderia rimar no alho
integral-e-mente
poluída


belas detrações

atmosfera
avalizada por mil quimeras
latinas

que penso conforme eu saiba
alho
tempero para minha comida

Quantos bugalhos!
esses taninos do carvalho

Joice Furtado - 11/05/2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Alvorecendo




Alvorecer 

árvore de vida 
num ritmo preciso
realmente nítido
suas folhas-amores
eterniza

canção das primaveras
tão sinceras
melodias cardíacas
abraço dos seres vapor
retribui a quem lhe divisa
apaixonado calor

fotossintetizando
 carbono-oxigênio
compasso
cloroplastos em células vivas
clorofila divina
aconchega-me esse regaço

Joice Furtado - 10/05/2012

Taciturna

Desaparecendo pela fresta
restou-te a noite escura
saudade que não é festa
no peito assim figura


Tristeza


Pierrô colorido
rosto pleno de estrelas
apaixonado amigo
lembras dos dias carnais
carnavalescos tais
fazes deles abrigo


A dama de ferro e brasa
aquela taciturna casa
fechando a porta, eu digo
Nada há que faça ou desespere
por quem vive em desgraça 
misturados vapores perdidos


febris alegrias
em outros braços terás
há que nascer outro dia
para os nossos carnavais


Meu amigo Pierrô
entoe um canto novo
que para desilusão a música
trará à alma o gozo


Ainda que a noite
pareça bruma e escuridão
olha para o céu de prata
de lua, entre bravatas
revi-ficado ardor 
habitará o coração


Joice Furtado - 10/05/2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trampolim



Na odisseia da mente doente
aprofunda a cova o louco de si
mortos rastejantes
pequenos-infantes
zumbis
vala cheia de ratos e fatos
saltitantes 

tão ou quase nada-ausente
presente de consciência
suas subliminares rusgas
atrozes armadilhas reproduz
ao ser mais louco diz
descarada-mente

e a fuga, essa é a mais patética

somos todos extraterrestres
extra-mundanos estrategistas
porém dizem os demais: doentes
mentais ironias
numa bem mentalizada
Hipocrisia!

Trampolim de otário é toco-tosco
pegue já o seu troco

Tudo uma questão de sintonia 

Joice Furtado - 09/05/2012

Conversas muito loucas com um grande amigo.


Visível



Ardores que não se pronunciam
gemem
a alma, o sexo, a cama, o cio
essa pouca-nenhuma 
calma 


Joice Furtado - 09/05/2012

Sem demora



Amo-lhe
seus vales e prados percorrer
meu continente

equatorial homem
irrompe em nuvens
ondas calorosas
na praia do prazer

Nu,
De costas, sexo e ancas
expostas
Sentimentos, emoções
ama
seus desejos ardentes
sob a cama 
entregue-me
Nu,
sem delongas.

Joice Furtado - 09/05/2012