Google+ Mergulhei em seus olhos...

domingo, 6 de maio de 2012

Amante mar



Imagino despir-me 
em você
todo o despudor sorver
de mil formas 
pungentes 

devorar sua pele vorazmente
extrair desse mar o sal
serpenteando num transe louco
esfregando-me em seu corpo
sugar o gosto animal

mulher-bicho delicado
sou
sol de verão
indecente e quente

Suas coxas, pelos e peito
transitar toda estação
cada parada marcada
minha trêmula 
excitante ondulação

Gemidos, suores decorrentes
corredeiras corporais
líquidos profícuos, sexuais
deliciosa
muscular paixão

Arrogante e perversa
amena-submissa
Domada ou ama rígida
Entregue-se ao ser
semente
atrevida

Os sulcos oferecidos
saciados estremecem
derramam-deflagram
cheiros
inebriantes espalham-se no ar
alvoroço dos sentidos

Ao bel prazer
beleza oferecida no cálice
natural despudor da alma
desnuda calma
sente-se

Deixados portos
intrincadas distâncias
do meu corpo ao seu
apenas um instante
e, agora, nenhum há
pe-s-cador
lançado o rio à foz
sobe a maré, explora
inunda a terra vazante
seu amante mar


Joice Furtado - 06/05/2012

Insight



No meio do caminho a verdade
num sobressalto, insight nasceu
não era pedra, nada de galho
um verossímil talho
lampejado do céu

Fulgente
contrastes e ritos
despedaça correntes
na mente um grito
estampa folhas de papel

Estendido no alvorecer
corpo inerte em frustrações
não reveladas teorias universais
e a galáxia interior
queimando orações

Incensário
reconhece a si mesmo fraco
da fraqueza eleva-se contente
amoroso santuário

Ardor do Espírito atrelado
a carne de homem-certezas
não há nenhuma que contenha
as forças incontroláveis, natureza  
pungente e intrínseca, num todo Ser




E se tinha uma pedra no meio do caminho... eu a pulei

Joice Furtado - 06/05/2012

sábado, 5 de maio de 2012

Nudez



Desenho uma estrada
Cada curva, sinalização
Aplaino, asfalto-a 
sistematicamente
cada qual e sua obsessão

Todo canto do caminho
esquinas e tranversais
tão bem definidas
imagino

Que o mundo me dê estradas
e eu as construa
engenhosamente imaginária
escavando os montes, tropeços
atropelos de vida
desenganos e conquistas

Olhos cansados também enxergam
pelo menos ainda
com a experiência passada
contam os palmos e medidas
novas malhas
o-usadas linhas 

Vestirei-me 
corpos nus só aquecem juntos
procuro o fogo
ele arderá ainda

A brasa acende-se ao mínimo sopro
ela vem

Minha nudez é aparente
ela vem
desconcertada
desvairada rima

Joice Furtado - 05/05/2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Patinando



Quem sabe eu tenha perdido a mão 
ou o jeito? 
Quem sabe os dois de uma vez só
numa dessas esquinas
por onde passam minhas sandálias,
calçados de plástico,
patinando nas calçadas lisas
da mente em ebulição?

A banda podre da maça era para mim?
Pois é! Pergunto-me enquanto minhas
sandálias escorregam nesse piso
desmotivador, armadilha
entre os frisos que me mantem de pé
uma sanidade reservada aqueles momentos
quando a mente divaga, parada na faixa de pedestres
feito louca o olhar perde-se e penso:
O que estou fazendo aqui?

Lembro-me de ser assim desde criança
Minha mãe tinha medo quando meu olhar se perdia
Eu instropectiva menina em meu reino
Observador

Os tempos passam, a inocência esvai-se
pelos dedos das mãos, dos pés também
o caminhar incessante dos sonhos
sonhadores perambulam em cada cidade
em cada rua ou calçada feito essa

Essa resenha onírica
que não se submete, ainda que seja preciso
um certo comodismo irritante
apavorante que lhe destrói o cérebro
em convulsões inglórias
Queria a minha própria anarquia
talvez eu a destruísse
É que destruir padrões torna-lhe mais sincera
sinceramente preciso

O que hoje em dia é pouco reconhecido
faz as pessoas mais naturais
não imitadores do realismo
Sinceridade

De um pouco-muito inconformismo para viver
Viventes seres são assim
Detestáveis perante alguns olhos
ainda que olhar seja impreciso
para quem enxerga subjetivo

Mantenho esse efeito-suspensivo
medida contra outros conflitos
pajelanças genéricas de emoção
medicamentosas tendências
baratas, bichos nocivos

A palavra ainda é o remédio
a cura de muitos, em alguns veneno
morte para hipocrisia!
Segure-a enquanto ela quiser
estar segura, pois cavalo selvagem
dará trotes
Mostrando não pertencer, ainda que o domem
continuará com a mágoa de livre ser
suas manifestações vivas nas planícies
indeléveis do existir
sentir e crer

Enquanto isso, observo a banda passar
comendo chocolate para abstrair

Joice Furtado - 04/05/2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Remanso



Leve alma que me leve
para junto das estações
águas correntes
cascata não breve
seu desejo

Despejado em ondas
vaporosas loiças
echarpe de vento breve
suave carinho
graciosa entre os mimos
das amadas coisas

Um olhar de quina
moça-menina-mulher
sorri lábios de flor
rosada acácia
transparente fascina
também meu olhar

Preencher seus espaços
assim os meus passos
pousar como brisa
sua pele macia
vento que ergue as folhas
e desliza, desliza
pela paisagem agreste
dos amores em maços
de flores silvestres

Romance encantado
inventado melodioso
aplaca as sombras, desfaz
Sentimento não-rancoroso
as névoas do então
coração magoado

Pássaro migratório
andorinhando
meus sonhos carinho
no sol de inverno
redemoinho que brinca
com o navegar da folha
riacho remanso

Aqui e ali
Desmantelação da imaterial dor
em cores de um novo e amado canto

Joice Furtado - 03/05/2012

Fechadura


Belo horizonte
olhando pelo buraco da fechadura
d'uma performática vida
dos mil caminhos, um só
corda-bamba 

milhões de detalhes eu vejo
o que enoja ou fascina
caleidoscópio
sombrio do infinito pensar
arrepio na nuca
desafortunado
acreditador do azar

fantástica alucinação
alucinatório multicolorido de opções
reais e muitas outras fantasias
de razões, perdões
Odisseia psico-analítica
micro-facetada análise

De olhos fechados
divagando Patience
a la Guns
em suas pormenores
obsessões
ter ou ser
escrevendo no livro
ainda que sejam
incompreensíveis
tais reflexões

E que seja paranoico
quase
sobre tal escrever


Joice Furtado - 03/05/2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Alcova



Rosa púrpura 
purpúrea flor flamenca
melancolia no olhar 
corpo que o fogo engrena

Dance para mim
a dança do sangue latino
sexo selvagem e instinto
ao toque desejoso das mãos

Sabe que é labareda
penetra entre as rochas
separa para si a oferta
do enlouquecido entregue
coração

Em sua mesa sacrificial
paixão profícua
perfumada alcova de bela
destemida
prendê-lo-á na sela
sedutores vãos

Joice Furtado - 02/05/2012