Google+ Mergulhei em seus olhos...

terça-feira, 13 de março de 2012

Deusa do fogo



Beije-me com seus lábios de sol,
flor ardente do verão,
cante para mim sua canção de fogo,
notas incendiárias de corpos abrasantes,
sensações flamejantes, fagulhas e faíscas
sob esse lufar de delícias alastram-se
chamas benquistas como de um raio no matagal.

Cabelos lisos debruçados sobre a cama,
deslizando por meu corpo,
escorrendo em seu dorso, sereia
dessa famosa pátria escaldante
Seu pulsar como galáxias de estrelas
nesse espaço fervilhante de minh'alma.

Olhar de lâmina cortante,
quente e líquido formador metal,
descontrola-me o seu ofuscante queimar,
fundido sob temperaturas controladas
mais temível que explosão solar
e suas ondas geomagnéticas,
causa em meu peito condutor efeito, 
radiante aurora boreal.

Atômica, átomos em colisão
térmica pele de lava magmática
friccionada em mim, calor fenomenal
musa das novas terras, incandescente, celebra 
nesses seus ensolarados seios, trópicos brasileiros,
braseiro já aceso, seu ardor sem fim.


Joice Furtado - 13/03/2012


Interessante: A história de Ceres 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Olhos fechados




Fecho meus olhos
quando quero lembrar-lhe
dessa maneira especial
Escuto minha respiração
sinto o sangue nas veias,
vejo nossos instantes,
olhares de encantamento,
corpos e bocas sedentas

Fecho os meus olhos e
é só isso que preciso
para que seu perfume
regresse a minha mente,
emerjam as memórias
de tudo o que se sente.

Nu, seu corpo,
seus sinais e linhas 
traçadas tão firmemente,
eis que você está ali
tão preso ao meu inconsciente
que ao respirar ainda 
sinto o cheiro do seu quarto,
da sua pele, seu cabelo,
sorrio e reparo, você
está aqui novamente.

Joice Furtado - 12/03/2012


Olhos fechados pra te encontrar...
Aonde quer que eu vá - Os Paralamas do Sucesso 

domingo, 11 de março de 2012

Sina



Um soluço
e o que era velho, escuro,
pôs-se a lamentar 
a menina de tranças
escuras como a noite,
branca pele, negro olhar
Negros olhos que choram
sob os raios da noite quente,
feitiço imponente do luar

Lembrou-se da primeira estrela,
dos lírios e da primavera
Flores roubadas nos jardins
Das mais queridas, a Dália carmim
como seus lábios de flor, 
cor de fogo, alma acesa
Imensa, intensa vida
pulsava ali

Um piscar de pestanas,
esfrega os olhos ainda úmidos,
avermelhados e turvos
do seu interior orvalhar
Rezas, lamúrias
sangram como açoite
nas costas do desterrado,
foragido da infância,
ainda criança começou a chorar

E chorava como sina,
decerto menina
fez-se forte, mais sabida
ou apenas precisasse
aprender a manipular,
colocar máscara de maturidade
matar os sonhos, acostumar-se
com as regras do jogo,
cedo ou tarde
há que se aprender
a fechar os olhos e esquecer.

Joice Furtado - 11/03/2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

O grito



Deixo o verso belo
metrificado, singelo,
para o sujeito lírico,
ultrarromântico e fino

Meu verso é torto,
esquisito e tosco também
Chafurdo na lama
da alma insana,
rimas mundanas tiro de letra,
sei que as entende, meu bem

Paranoias de palavras e rimas,
a poucos lerem anima
Coisas detestáveis, pragas vejo
nas meninas dos olhos
aglutinadas e encardidas 
de muitos, desdém

Das horas, do tempo,
prisioneiro maldito,
corpo e mente dispersos
Enfrento a corrente 
tentando quebrá-la 
Muitos medos, poucas falas
Sou contra tudo que se impõe,
porém me imponho tanto

Sou do bando que se revolta
não foge do cerco, a montanha escala
Caprichosos ódios e raivas
Leão no reino de pedra destronado,
atormentado pela selvagem natureza,
humana rudeza

Coração se torna inquieto
vagando entre o possível 
e o impossível de suportar,
administrando no escuro
tudo que é difícil enxergar.

... mas ouvindo e sentindo tudo.

Joice Furtado - 09/03/2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Canção do suspiro



Suspiro
minhas mágoas,
minhas dúvidas,
lágrimas,
injúrias,
sem contos ou fábulas
Dura, no papel
lanço-as, confesso-as
como quem se livra do fel,
amargor da sobriedade
Constatamos a certa altura
que felizes éramos, sim
na tenra idade, horizontes
explanados a enxergar
Vamos distorcendo os valores,
tornando-nos mais pedra, menos ar,
menos sonhos, mais realidade
e a realidade é uma selva.

Suspiro
como quem compõe várias rimas
Notas doces, notas caras
Rara sensação
essa de ainda suspirar
Vibrando constante, inocentes
ecoam em meu peito, batidas
desse tresloucado coração.

Suspiro e nada que faço
ou farão de mim, comigo
calará o grito, esse grito
crítico e analítico, fervilhando
na panela, quente esfera da
minha mente que, assim,
precipita-se em seu caminhar.

Fera, sei que uma fera
existe em mim...

Joice Furtado - 08/03/2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Veneno merecido



Eu quis, como eu quis ser o seu soneto,
aquele verso escolhido,
um amante e amigo,
seu de corpo inteiro
fiel admirador

Perseguindo seus olhos, sua sombra,
horas, meses a fio
Olhando-a pela janela da mente
com meu olhar devorador, salivando
seus seios, corpo esguio

Dimensões e proporções exatas
Obra prima, costas de mármore polido
Nesse meu desespero, sois o bálsamo,
anelo que recupera a sanidade
ou derradeiro veneno merecido

Tão insensato que sou, mero inocente
Um rato e você a serpente
enfeitiçando meu juízo
Meu paraíso, doce Eva
dos trópicos tupiniquins,
venha sem demora, venha
nua, sorrindo pra mim.

Poupe-me desse castigo
punhal com o qual me flagelo
Seja luz, brilho assaz
ou destroce de vez minha alma, 
espero assim morrer em paz.

Joice Furtado - 07/03/2012

Enganos



Mariposa, lá vai ela
abestalhada e confusa
percorre ruas, ladeiras,
endoidecida a procura,
atraída pelo brilho inebriante
de uma noite intensa de lua

Contorna quarteirões, prédios,
nenhum obstáculo a perturba
Surpresa de cara ficou
às voltas com o diferente
entorpecida, bêbada
no brilho néon e quente,
ofuscante da casa das putas

Mariposa de grandes olhos,
estratégia que ao inimigo assusta,
porém sua vaidade mor, afoita, é
enxergar bem o oásis querido,
letreiro todo aceso, entorpecente,
luminária notável das putas

Hoje, viciada no artificial
sai às ruas, vara noites
Nada há que a segure, leve
ao seu afazer normal
Agora tudo é careta, brega e sem noção
Abandonou o brilho da lua, noites frescas
da tal luminária é fã, por ela arde seu coração.

Joice Furtado - 07/03/2012


Às vezes as pessoas se deixam atrair por essas luminárias artificiais e deixam de enxergar o brilho mais valioso que existe, o verdadeiro brilho que não se apaga jamais. Repare bem em qual brilho você está focado, será que vale a pena?