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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Arestas




As arestas do coração
sempre elas, vivo 
aparando, lapidando
essa sangria desatada,
paixão hemorrágica,
deliberando planos em mãos
que se procuram, entrelaçam
Valsa vienense ou carnaval
Intimamente ligados,
coisa quase frugal,
para quem é apaixonado
por natureza, tanta beleza
tristeza, certeza
num mesmo e tão louco
músculo
louco e sentimental,
cardíaco,
descompassando nas curvas,
emoções da estrada,
a vida
gerada na mente,
nascido e criado
no vendaval.


Joice Furtado - 14/02/2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sob o sol a pino



O homem que se revela
um ser acima de tudo,
enfrenta o caos, enfrenta o mundo
e os vãos padrões
Pagãos
Cristãos
Religiosos
Quimera arraigada
Hipocrisia
Manipulação dos ideais
Por muitos tostões
pretendem milhões
escravizar
Dissipando os sonhos
dos degredados vultos
caminhando sob sol a pino
em busca do pão, 
pão nosso de cada dia.


Joice Furtado - 13/02/2012

Despedida



Rendido aos seus pés,
num momento eternizei
o amor que deveras sinto
Entre olhares, gemidos
a você eu entreguei
a canção interior,
palavras sussurradas,
cada gesto maior
e mais simples, cada lágrima
que dos olhos verti
aos seus pés, apaixonado
Pouco a pouco, compreendi
O meu eu, o seu e o nosso, no dia
em que saia pela porta
dizendo-me adeus,
a angústia, o sofrimento clamou 
em alta voz, chorando no peito:
Lá se vai o seu baluarte
sua dama, estrela guia.
Lá se vai sua paixão,
por vezes, não vista
Altiva senhora, 
olhar de menina
Perdi-me dos seus afagos
Perdi-lhe e não sabia.


Joice Furtado - 13/02/2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ventura e desventura




MAL DE AMOR 
Ana Amélia de Queirós

Toda pena de amor, por mais que doa,
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
Seca-as depressa uma palavra boa.

A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa,
Por um sorriso amor tudo perdoa.

Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado.

Noutra parte há de em vão buscar ventura.
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de amor só nesse amor tem cura.

Retirado do site Sonetário Brasileiro

Brado pelo amor




Deixe o amor
Abandone-o!
Quem não reconhece
a flor que germina em pedra,
a chuva que refresca o dia,
o cheiro da primavera

Deixe o amor
Desuse, 
esqueça o pronunciar
de seu nome 
Quem as multidões 
se entrega, 
reverencia a devassidão
Quem amarra, encarcera
podando um coração

Deixe o amor
Injusto!
Sempre em cima do muro
Sempre olhando o seu
Umbigo
Seu nome é dor,
vampiro de sentimentos
É seu, só seu o julgamento
Para o mal que já causou

Deixe o amor viver
Aquele que o enxerga em tudo
Quem sabe amar
A si, o próximo, toda beleza,
as simples coisas
e a natureza

O amor é para os sonhadores,
para os românticos,
complexos, prolixos
sintéticos e literais
O amor dos subversivos
Enfrenta cadeias,
quebra os grilhões
que prendem a alma,
coração dos mortais.

Joice Furtado - 11/02/2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Profícuo



Não controlo o ímpeto
de arranhar sua pele,
segurar seus flancos,
aprofundar-lhe em mim
Prazer
Eternizar segundos,
fragmentar o tempo
diluir-me,
concentrar-me,
líquido profícuo
desse encanto.


Joice Furtado - 10/02/2012

Contexto



Na cadência dos corpos
No enlace da fibras
Embalo de sonhos,
reverberando delícias
Encaixe de sexos
Sensações bem-vindas
Nós num contexto
Frases, parágrafos
ou estrofe, versos
em desalinho
Junta-me, pluraliza
em seu peito, meu ser
Olhando-lhe nu,
sinto em mim o efeito
aflorando, transbordante
desse imenso querer.

Joice Furtado - 10/02/2012


Se amanhã será
eu não sei
Só sei que cada instante,
segundo, amei e amo
você.

Nosso mundo é cheio de notas e sons a serem ouvidos, sentidos, apreciados íntima e prazerosamente.